Parem de nos matar: a (des)construção da masculinidade nas crônicas de Cidinha da Silva
DOI:
https://doi.org/10.5007/2175-7917.2025.e105534Palabras clave:
Cidinha da Silva, Masculinidade, ParentalidadeResumen
O presente artigo tem como objetivo analisar a construção da masculinidade em textos de Cidinha da Silva. Partindo da compreensão de que a cronista e contista mineira tece representações literárias de imaginários e práticas correntes em nossa sociedade, esta pesquisa aborda como se dá o desenho dos papéis de gênero exercidos por homens em alguns escritos da artista. Destacam-se, então, as crônicas “Construção” (2011), “Me oriente, rapaz” (2014) e “O homem da meia-noite” (2018), cujas narrativas são fios condutores para uma discussão sobre os modos pelos quais essa masculinidade se mostra nas relações cotidianas, sobretudo aquelas entre pais e filhos. Entre memórias familiares relativas à presença ou à ausência paterna, as personagens masculinas abrem caminho para uma reflexão sobre a virilidade, a força, a violência e a dominação e o imaginário do homem provedor, tais como debatidos por bell hooks (2019; 2022), Rita Segato (2005), Pierre Bourdieu (2012), Henrique Restier da Costa Souza e Rolf Malungo de Souza (2023), assim como Fábio Araújo de Oliveira e Nádia de Jesus Santos (2022).
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