Crer e não crer – eis a questão: religiosidade popular em O Ausente, de Edimilson de Almeida Pereira

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-7917.2026.e111673

Palabras clave:

antropologia, religiosidade, existencialismo, Edimilson de Almeida Pereira, o ausente

Resumen

Este artigo aspira realizar uma leitura do romance O Ausente (2020), do escritor Edimilson de Almeida Pereira, a partir da análise do narrador-personagem: Inocêncio, Inoc, ou Esse de Agora. Os fragmentos de histórias que compõem o texto passam pela voz do protagonista, que é um benzedor. Por isso, nosso objetivo é discutir sobre as questões relacionadas à religiosidade popular, a partir da comparação do texto literário com outras produções do autor ligadas ao campo da antropologia. Nesse sentido, observamos, nessa comparação, diálogos e tensões no trato deste tema no romance de Pereira. Na trama, a partir de uma crise desencadeada pela predestinação que vem da imposição cultural da tradição, o homem encontra-se num dilema marcadamente existencial, prenhe de indagações sobre o sagrado e a religião, cogitando pôr fim à própria vida, ou a um modo de viver. Nesse sentido, para construção deste artigo, nos embasamos em teóricos de diferentes áreas, como Leda Maria Martins, Jean-Paul Sartre, além de textos do próprio Edimilson de Almeida Pereira, e suas coautorias com Núbia Pereira de Magalhães Gomes.

Biografía del autor/a

Rosangela Sarteschi, Universidade de São Paulo

Doutora em Letras pela USP, é professora do Departamento de Letras da USP, atua na área de em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa. Desenvolve pesquisas sobre literatura e sociedade, literatura negra e ensino de literatura. Realizou pós-doutorado na Universidade de Lisboa, com estudo sobre autoria negra em Portugal. Integra o Núcleo Brasil-África, coordena grupo de estudos na área e é diretora do Centro de Estudos Africanos da USP.

Bruno Barra da Silva, Universidade de São Paulo

Mestrando no Programa de Pós-Graduação em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa (FFLCH-USP) e graduado em Letras (Português e literaturas correspondentes) pela Universidade Estadual de Maringá. Atualmente, integra o corpo editorial da Revista Crioula. Seus interesses de pesquisa estão no âmbito da literatura comparada, literatura contemporânea, culturas populares e relações entre literaturas e outras artes.

 

Citas

AYALA, Maria Ignez Novais. A cultura popular em uma perspectiva empenhada de análise. In: FERNANDES, Frederico Augusto Garcia (org.). Oralidade e literatura: manifestações e abordagens no Brasil. Londrina: Universidade Estadual de Londrina, 2013, p. 81-113. livro eletrônico.

BARBOSA, Maria José Somerlate. Dançar o nome com o braço na palavra berço: a relação vida e obra poética de Edimilson de Almeida Pereira. Scripta, Belo Horizonte, v. 15, n. 29, p. 235-262, 2011.

CASTRO, Yeda Pessoa de. A propósito do que dizem os vissungos. In: FREITAS, Neide; QUEIROZ, Sônia (org.). Vissungos: cantos afrodescendentes em Minas Gerais. 3. ed. rev. ampl. Belo Horizonte: Viva Voz, 2015. p.73-79.

FERREIRINHA, Carlos Augusto; JUNQUEIRA, Maria Aparecida. Silêncio: tessitura de linguagem em O ausente, de Edimilson de Almeida Pereira. FronteiraZ: Revista do Programa de Estudos Pós-Graduados em Literatura e Crítica Literária, São Paulo, n. 31, p. 121-141, 2023.

ITAÚ CULTURAL. Anúncio dos vencedores – Prêmio Oceanos 2021. 8 dez. 2021. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=_-Ew7Vx8wE4. Acesso em: 10 ago. 2026. Vídeo (Youtube).

LOPES, Nei. Bantos, malês e identidade negra. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1988.

LOPES, Nei. Dicionário banto do Brasil. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Cultura, 1996.

LOPES, Nei. Novo dicionário banto do Brasil: contendo mais de 250 propostas etimológicas acolhidas pelo Dicionário Houaiss. Rio de Janeiro: Pallas, 2003.

MARTINS, Leda Maria. Performances do tempo espiralar, poéticas do corpo-tela. Rio de Janeiro: Cobogó, 2021.

PEREIRA, Edimilson de Almeida; GOMES, Núbia Pereira de Magalhães. Assim se benze em Minas Gerais. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2004.

PEREIRA, Edimilson de Almeida; GOMES, Núbia Pereira M. Inumeráveis cabeças: tradições afro-brasileiras nos horizontes da contemporaneidade. In: FONSECA, Maria Nazareth (org.). Brasil afro-brasileiro. Belo Horizonte: Autêntica, 2000. p. 41-59.

PEREIRA, Edimilson de Almeida. Malungos na escola: questões sobre culturas afrodescendentes e educação. São Paulo: Paulinas, 2010.

PEREIRA, Edimilson de Almeida. O ausente. Belo Horizonte: Relicário, 2020.

PEREIRA, Edimilson de Almeida. Poesia +. São Paulo: Editora 34, 2019.

PRANDI, Reginaldo. Mitologia dos orixás. 10. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.

SARTRE, Jean-Paul. O existencialismo é um humanismo. Trad. de João Batista Kreuch. 4. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2014.

SILVA, Vagner Gonçalves da. Exu do Brasil: tropos de uma identidade afro-brasileira nos trópicos. Revista de Antropologia, São Paulo, v. 55, p. 1085-1114, 2012.

SILVA, Vagner Gonçalves da. Na encruzilhada, com os antropólogos. Religião & Sociedade, Rio de Janeiro, v. 24, n. 2, p. 28-60, 2005.

SILVA, Vagner Gonçalves da. O antropólogo e sua magia. 1. ed. São Paulo: EDUSP, 2000.

SILVA, Vagner Gonçalves da. Religiões afro-brasileiras: construção e legitimação de um campo do saber acadêmico (1900-1960). Revista USP, São Paulo, n. 55, p. 82-111, 2002.

SOUZA, Beto. Número de evangélicos cresce e de católicos diminui no Brasil, aponta IBGE. CNN Brasil, São Paulo, 6 jun. 2025. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/brasil/numero-de-evangelicos-cresce-e-de-catolicos-diminui-no-brasil-aponta-ibge/. Acesso em: 10 ago. 2026.

VERGER, Pierre Fatumbi. Ewé: o uso das plantas na sociedade iorubá. Prefácio de Jorge Amado. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

Publicado

2026-09-30

Cómo citar

SARTESCHI, Rosangela; SILVA, Bruno Barra da. Crer e não crer – eis a questão: religiosidade popular em O Ausente, de Edimilson de Almeida Pereira. Anuário de Literatura, [S. l.], v. 31, p. 01–16, 2026. DOI: 10.5007/2175-7917.2026.e111673. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/literatura/article/view/111673. Acesso em: 3 oct. 2026.

Número

Sección

Dossiê “A malungagem e o brutalismo: outros modos da margem na literatura e na cultura brasileiras”