Relato sobre os esquecidos: os favelados do Canindé na obra Quarto de despejo, de Carolina Maria de Jesus
DOI:
https://doi.org/10.5007/2175-7917.2025.e105775Palavras-chave:
Violência, Gênero, Relações raciais, Quarto de DespejoResumo
O presente artigo tem como objetivo refletir sobre a dinâmica das relações entre os habitantes da favela do Canindé e entre os favelados e seus vizinhos das casas de alvenaria mais próximas, capturada, principalmente, pelo olhar de Carolina Maria de Jesus em Quarto de Despejo, mas também ilustrada em alguns jornais das décadas de 1950 e 1960. Nesse período, o Brasil vivia um momento de crescimento efervescente impulsionado por políticas desenvolvimentistas que visavam estimular o investimento e a instalação de indústrias internacionais no país. Essa efervescência, no entanto, foi vivida de forma desafiadora pela população mais pobre, especialmente nas grandes metrópoles como São Paulo, palco dessa agitação. Em geral, a miséria predominava nos barracos da favela, desencadeando, por sua vez, uma série de frustrações e violências tanto entre os favelados, quanto entre estes e seus vizinhos de maior poder aquisitivo. Sendo assim, a reflexão proposta inicialmente não poderia ser realizada sem o apoio de trabalhos produzidos por mulheres negras feministas, que abordam a intersecção de três conceitos primordiais para discutir a sociedade brasileira dos séculos XX e XXI: raça, classe e gênero.
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