Tecelãs da existência

Ida Mara Freire

Resumo


Neste ensaio, entrelaço fios de vidas das mulheres negras que estão atadas ao fio da
minha vida. Com os fios soltos das canções de Zezé Motta e dos escritos da filósofa Hannah
Arendt, teço este texto-existência. Na leitura dos ensaios e poemas de Marlene Nourbese Philip,
escritora afro-caribenha, me inspiro não só para resistir às amarras culturais hegemônicas,
mas também para transcendê-las, criando possibilidades de escrita que vincule a dinâmica da
fala com a dinâmica da ação, compondo um texto que se movimenta ora como dança, através
do espaço, ora como uma canção, ritmada pelo tempo, pois criar e dançar uma coreografia
é uma forma de fazer história. Como investiga Selma Treviños, trata-se de uma ferramenta para
animar o passado ou uma “escrita” acerca de algo que já foi feito, se concordamos que cada
corpo carrega sua própria história e individualidade, memória, sentimentos e emoções. Na
busca do entendimento desta minha breve existência, danço, escrevo, teço palavras com fios
desfiados da flor do útero das minhas ancestrais. Vasculho minhas lembranças e, na memória
corporal, decifro a dor, encontro a raiz da violência, observo o medo, destilo a alegria, enfeito
a doçura, mergulho na paz e conheço a liberdade.


Palavras-chave


memória corporal; liberdade; existência; mulheres afro-brasileiras.

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Estudos Feministas, ISSN 0104-026X, Florianópolis, Brasil.