Sacerdotisas africanas no mundo bíblico. Leitura decolonial de Êxodo 4.24-26

Autores

DOI:

https://doi.org/10.1590/1806-9584-2020v28n61311

Palavras-chave:

decolonização, Bíblia, mulher negra, sacerdotisa, matriz africana

Resumo

Da experiência espiritual da mulher negra em diáspora, surge um pensamento fronteiriço como resposta bíblico-teológica à experiência histórica do racismo. Trata-se de um exercício hermenêutico que assume o imperativo ético e epistemológico da decolonização da teologia e da Bíblia, visto que ambas serviram como “ferro em brasa” para subjugar e desumanizar os povos de origem africana. De um exercício interpretativo a partir do subalterno, desvela-se o protagonismo espiritual da mulher negra no mundo bíblico a fim de revelar as matrizes africanas da fé judaico-cristã. Com isso, anseia-se contribuir para a desconstrução do imaginário eurocêntrico que segue legitimando a dominação e o aniquilamento do outro e, assim, cooperar para a reconstrução de um imaginário despatriarcalizado e antirracista.

Biografia do Autor

Cleusa Caldeira, Pontificia Universidade Católica do Paraná. Curso de Pós-graduação em teologia.

Pós-doutoranda em teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Doutora em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE) em Belo Horizonte (2017). Mestre em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (2011). Especialização em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (2009). Bacharel em Teologia pelo Seminário Rev. Antonio de Godoy Sobrinho (2003), convalidou o diploma pela UNIFIL (2007), ambos em Londrina-Pr. Exerce o ministério pastoral na Igreja Presbiteriana Independente do Brasil e contribui pastoralmente na Igreja Presbiteriana Unida do Brasil. Pesquisa atualmente sobre o acontecimento da redenção em contexto pós-moderno. Atuando também nos temas: Teologia Feminista; Hermenêutica Negra, Leitura popular da Bíblia; Teologia fundamental; teologia da libertação. É consultora da CENACORA (Comissão Ecumênica Nacional de Combate ao Racismo), desde 2014. Membro da Soter ( Sociedade de Teologia e Ciências da Religião), desde 2013.

Referências

ALBERTZ, Rainer. Historia de la religión de Israel en tiempos del antiguo testamento. Desde el exilio hasta la época de los Macabeos. Madrid: Trotta, 1999.

ANDIÑACH, Pablo Richard. Introdução hermenêutica ao Antigo Testamento. São Leopoldo: Sinodal/EST, 2015.

BACHMANN, Mercedes Garcia. “Una madre abortiva y un padre humillante. La construcción simbólica del ‘castigo’ a Miriam (Numeros 11-12)”, 2009. Disponível em https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=4100069.

BEKKENKAMP, Jonneke; DIJK, Fokkelien van. “O Cânon do Antigo Testamento e as tradições culturais das mulheres”. In: BRENNER, Athalia. Cântico dos Cânticos a partir de uma leitura de gênero. São Paulo: Paulinas, 2000. p. 75-96.

BUSCEMI, Maria Soave. “Lilith, a deusa do escuro”. Revista Mandrágora, São Bernardo do Campo, v. 11, n. 11, p. 9-15, 2005.

CALDEIRA, Cleusa. “Da Europa à América Latina. A vulnerabilidade como locus theologicus”. Revista Perspectiva Teológica, v. 50, n. 2, p. 307-323, 2018b. DOI: 10.20911/21768757v50n2p307/2018

CALDEIRA, Cleusa. “Desconstrução do cristianismo. Imperativo ontológico à experiência de Deus”. Revista Horizonte, v. 16, n. 51, p. 1270-1299, 2018a.

CALDEIRA, Cleusa. “Hermenêutica negra feminista: um ensaio de interpretação de Cântico dos Cânticos 1.5-6”. Revista Estudos Feministas, v. 21, n. 03, p. 1189-1210, set./dez. 2013.

CARDOSO, Nancy. “O corpo sob suspeita – Violência sexista no livro de Números”. Revista de Interpretação Bíblica Latino-Americana (RIBLA), Petrópolis, n. 4, p. 7-16, 2002.

COLLINS, Patricia Hill. “Aprendendo com a outsider within: a significação sociológica do pensamento feminista negro”. Revista Sociedade e Estado, Brasília, v. 31, n. 1, p. 99-127, jan./abr. 2016.

COSTA-BERNARDINO, Joaze; GROSFOGUEL, Ramón. “Decolonialidade e perspectiva negra”. Revista Sociedade e Estado, Brasília, v. 31, n. 1, p. 15-24, jan./abr. 2016.

CROATTO, José Severino. “Dios en el acontecimiento”. Revista Bíblica, v. 35, n. 147, p. 52-60, 1973.

CROATTO, José Severino. Êxodo. Uma hermenêutica da liberdade. São Paulo: Paulinas, 1981.

CROATTO, José Severino. Hermenêutica bíblica. São Leopoldo: Sinodal, 1986.

DIETRICH, Luiz José. “Do ponto de vista dos reis, dos sacerdotes, ou dos camponeses? Para uma leitura descolonizada e descolonizadora do Pentateuco”. In: CARNEIRO, Marcelo da Silva; OTTERMANN, Monika; FIGUEIREDO, Telmo José Amaral de (Orgs.). Pentateuco: da formação à recepção. São Paulo: Paulinas/ABIB, 2016. p. 151-168.

DIETRICH, Luiz José. “A descolonização da Bíblia, da ‘Palavra de Deus’: O desafio primeiro e urgente para uma teologia descolonial”. Revista de Interpretação Bíblica Latino-Americana, Porto Alegre, n. 1, p. 19-37, jan./jun. 2018.

DUGGAN, Joseph. “Dissonância epistemológica: descolonizando o ‘cânon’ teológico pós-colonial”. Concilium, Petrópolis, n. 350, p. 10-18, 2013.

DUSSEL, Enrique. “Descolonização epistemológica da teologia”. Concilium, Petrópolis, v. 350, p. 19-30, 2013.

DUSSEL, Enrique. “Transmodernidade e interculturalidade: interpretação a partir da filosofia da libertação”. Revista Sociedade e Estado, Brasília, n. 1, p. 51-73, jan./abr. 2016.

DUSSEL, Enrique. “Un diálogo con Gianni Vattimo. De la Postmodernidad a la Transmodernidad”. A Parte Rei, n. 54, 2007. Disponível em http://serbal.pntic.mec.es/~cmunoz11/dussel54.pdf. Acesso em 15/09/2018.

DUSSEL, Enrique. 1492: el encubrimiento del otro: hacia el origen del mito de la modernidad. La Paz: Plural, 1994.

EGGER, Wilhelm. Metodologia do Novo Testamento: Introdução aos métodos linguísticos e históricocríticos. São Paulo: Loyola, 1994.

ESCOBAR, Arturo. “Prefácio”. In: ESPINOSA MIÑOSO, Yuderkys; CORREAL, Diana Gómez; MUÑOZ, Karina Ochoa. Tejiendo de otro modo: feminismo, epistemología y apuestas descoloniales en Abya Yala. Popayán: Universidad del Cauca, 2014. p. 11-12.

FERNANDES, Leonardo Agostini. “Séfora: a mulher proativa que livra o homem da morte (Ex 4.24-26)”. Revista de Cultura Teológica, v. 86, p. 59-84, jul./dez. 2015.

FIORENZA, Elisabeth Schüssler. As origens cristãs a partir da mulher. Uma nova hermenêutica. São Paulo: Paulinas, 1992.

GALLAZZI, Sandro. “Elefantina: memórias de um ‘outro’ culto”. Revista de Interpretação Latino-Americana (RIBLA), Petrópolis, n. 54, p. 77-92, 2006.

GRENZER, Matthias. “Briga entre profetas (Nm12)”. Revista de Cultura Teológica, São Paulo, v. 38, p. 77-94, jan./mar. 2002.

GRENZER, Matthias; SUZUKI, Francisca Cirlene Cunha. “Voltar, com a família, à sociedade em conflito (Ex 4,18-20)”. Didaskalia, Lisboa, v. 46, p. 159-178, 2016.

LUGONES, María. “Colonialidad y género”. Revista Tabula Rasa, Bogotá, n. 9, p. 73-101, jul./dez. 2008.

LUGONES, María. “Subjetividad esclava, colonialidad de género, marginalidad y opresiones múltiples”. Pensando los feminismos en Bolívia. La Paz: Conexión Fondo de Emancipación, 2012. p. 129-140. (Serie Foros 2)

MALDONADO-TORRES, Nelson. “A topologia do Ser e a geopolítica do conhecimento. Modernidade, império e colonialidade”. Revista Crítica de Ciências Sociais, Coimbra, n. 80, p. 71-114, mar. 2008.

MALDONADO-TORRES, Nelson. “Sobre la colonialidad del ser: contribuciones al desarrollo de un concepto”. In: CASTRO-GÓMEZ, Santiago; GROSFOGUEL, Ramón. El giro decolonial: reflexiones para una diversidad epistémica más allá del capitalismo global. Bogotá: Siglo del Hombre, 2007. p. 127-167.

MBEMBE, Achille. Crítica da razão negra. São Paulo: N-1, 2018.

MENA LÓPEZ, Maricel. “Raízes afro-asiáticas do mundo bíblico: desafios para a exegese e a hermenêutica latino-americana”. Revista de Interpretação Bíblica Latino-Americana (RIBLA), Petrópolis, n. 54, p. 21-46, 2006.

MENA LÓPEZ, Maricel. “Hermenêutica negra feminista – De invisível a intérprete e artífice da sua própria história”. Revista de Interpretação Bíblica Latino-Americana (RIBLA), Petrópolis, n. 50, p. 183-196, 2005.

MENA LÓPEZ, Maricel. “Sabá e Salomão na tradição judaica, cristã, etíope e islâmica”. Revista Mandrágora, São Bernardo do Campo, n. 9, p. 25-40, 2003.

MENDOZA, Brenda. “La epistemología del sur, la colonialidad del género y el feminismo latinoamericano”. In: ESPINOSA MIÑOSO, Yuderkys; CORREAL, Diana Gómez; MUÑOZ, Karina Ochoa. Tejiendo de otro modo: feminismo, epistemología y apuestas descoloniales en Abya Yala. Popayán: Universidad del Cauca, 2014. p. 91-103.

MIGNOLO, Walter. “El pensamiento decolonial: desprendimiento y apertura. Un manifiesto”. In: CASTRO-GÓMEZ, Santiago; GROSFOGUEL, Ramón. El giro decolonial: reflexiones para una diversidad epistémica más allá del capitalismo global. Bogotá: Siglo del Hombre, 2007. p. 25-46.

MIGNOLO, Walter. Habitar la frontera: sentir y pensar la descolonialidade (Antología, 1999-2014). Barcelona: CIDOB, 2015.

NASH, Peter Theodore. “O papel dos africanos negros na história do povo de Deus”. Estudos Teológicos, Petrópolis, v. 42, n. 1, p. 05-27, 2002.

NOVA Bíblia Pastoral. São Paulo: Paulus, 2014.

OCHOA MUÑOZ, Karina. “El debate sobre las y los ameríndios: entre el discurso de la bestialización, la feminización y la racialización”. In: ESPINOSA MIÑOSO, Yuderkys; CORREAL, Diana Gómez; MUÑOZ, Karina Ochoa. Tejiendo de otro modo: feminismo, epistemología y apuestas descoloniales en Abya Yala. Popayán: Universidad del Cauca, 2014. p. 105-118.

SOARES, Sebastião Armando Gamaleira. “Sofonias, filho do negro, profeta dos pobres da terra”. Revista de Interpretação Bíblica Latino-Americana (RIBLA), Petrópolis, n. 3, p. 21-25, 1989.

TEUBAL, Savina June. “Sara e Agar: Matriarcas e visionárias”. In: BRENNER, Athalia (Org.). Gênesis a partir de uma leitura de gênero. São Paulo: Paulinas, 2000. p. 259-275.

WIT, Hans de. En la dispersión el texto es patria. Introducción a la hermenéutica clásica, moderna y posmoderna. Costa Rica: Universidad Bíblica Latino-Americana, 2017.

Publicado

2020-12-18

Edição

Seção

Artigos