Lado a lado? Feminismos e Estado durante o ‘ciclo progressista’ latino-americano

Autores

DOI:

https://doi.org/10.1590/1806-9584-2020v28n63040

Palavras-chave:

feminismos, Estado, políticas para mulheres, Brasil, Chile

Resumo

A partir de uma análise comparativa entre as experiências do Brasil e do Chile, este artigo analisa em que medida administrações de centro-esquerda constituíram uma oportunidade política para avançar na garantia de direitos para as mulheres por meio dos espaços institucionais. Para tanto, enfoca-se nas relações estabelecidas entre feminismos e Estado durante o chamado ‘ciclo progressista’ latino-americano, principalmente através das agências nacionais de políticas para as mulheres. Em ambos os contextos, governos de centro-esquerda contribuíram para o desenvolvimento de políticas para as mulheres na esfera nacional, porém de diferentes formas – no Brasil com um modelo participativo e a evidente aproximação entre feminismos e Estado e no Chile com um modelo tecnocrático, como parte de um processo de gender mainstreaming ou modernização do Estado, produzindo resultados igualmente distintos.

Biografia do Autor

Débora de Fina Gonzalez, Universidade Estadual de Campinas

Doutora em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Possui mestrado em Educação (2013) e graduação em Ciências Sociais (2009) pela UNICAMP. 

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Publicado

2020-12-18

Edição

Seção

Artigos