Ignez é morta: reflexões acerca da clausura para as Irmãs clarissas (séculos XIII ao XVIII)

Autores

DOI:

https://doi.org/10.1590/1806-9584-2021v29n267331

Palavras-chave:

Religiosidade Cristã, Conventos, Clausuras, Clarissas

Resumo

Pretendemos analisar alguns embates de gênero no interior da Igreja Católica para compreender a institucionalização da clausura feminina no século XIII. A ideia de morte para as coisas terrenas, quando as mulheres ingressavam nas clausuras e passavam à condição de religiosas clarissas, é debatida por meio de documentos do período moderno nos conventos de Portugal e da América Portuguesa. São verificadas ainda as representações discursivas acerca da clausura e a percepção de desvios claustrais que propiciavam mulheres com religiosidade diversa do instituído pela Igreja e pelas relações patriarcais.

Biografia do Autor

Ana Cristina Pereira Lage, Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri - Campus JK, Diamantina, MG

Professora Adjunta do curso de História e do Mestrado Profissional Interdisciplinar em Ciências Humanas (UFVJM). Professora do Programa de Pós-Graduação em Educação (UFMG). Pós-doutora em Educação (UEM), doutora em Educação (UFMG), mestre em Educação (UNICAMP), com Licenciatura em História (UFMG). Orienta e desenvolve pesquisas na área de História da Educação, gênero e religiosidade.

Terezinha Oliveira, Universidade Estadual de Maringá

Professora Titular do Departamento de Fundamentos da Educação e da Pós-Graduação em Educação na Universidade Estadual de Maringá (UEM). Pós-doutora em História da Educação (FEUSP), doutora em História (UNESP), mestre em Sociologia Política (UFSCar), graduada em História (UNESP). Orienta e desenvolve pesquisa acerca da História da Educação Medieval, com ênfase em memória, escolástica, instituições e intelectuais.

 

 

 

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2021-10-21

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Artigos