A legendagem do discurso da sexualidade em The Magdalene Sisters

Autores

DOI:

https://doi.org/10.1590/1806-9584-2021v29n268073

Palavras-chave:

The Magdalene Sisters, Em Nome de Deus, Discurso da Sexualidade, Legendagem, Transferência cultural

Resumo

Neste artigo, propõe-se analisar a tradução do discurso da sexualidade no âmbito da legendagem, mais especificamente, a transcodificação de referências culturais a partir de noções de tradução cultural e feminismo, utilizando como corpus legendas do filme The Magdalene Sisters (2002). Escrito e dirigido por Peter Mullan, The Magdalene Sisters estreou no Brasil em 2004 sob o título Em Nome de Deus. Baseada em fatos reais, a trama narra a história de quatro mulheres encarceradas, por questões religiosas e morais, em uma instituição denominada Magdalen Asylum (Asilo de Madalenas) nos anos 1960, na Irlanda. O objetivo central deste estudo consiste, portanto, em analisar como a mulher é representada por meio da legendagem do discurso religioso e da sexualidade, investigando de que maneira os procedimentos de tradução - adotados no processo de legendagem do idioma inglês para o português brasileiro - refletem a desigualdade de gênero e a misoginia com base teológica que permeiam a narrativa. A análise qualitativa do corpus demonstrou que as variações de sentido decorrentes de variações gramaticais e das intervenções do/a legendador/a promoveram uma aproximação dos contextos culturais de partida e de chegada.

Biografia do Autor

Antônia Elizângela de Morais Gehin, Programa de Pós-Graduação em Estudos da Tradução - Universidade Federal de Santa Catarina

Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Estudos da Tradução da UFSC e mestra pelo mesmo Programa. Graduada em Comunicação Social pelo Instituto Paulista de Ensino e Pesquisa - IPEP. É membro do Grupo de Estudos Irlandeses da UFSC.C.

Alinne Balduino Pires Fernandes, Universidade Federal de Santa Catarina

Professora de literatura e tradução no Departamento de Língua e Literatura Estrangeiras, credenciada na Pós-Graduação em Inglês e na Pós-Graduação em Estudos da Tradução. É líder do Grupo de Estudos Irlandeses e Grupo de Estudos Feministas na Literatura e na Tradução, ambos da UFSC.

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Publicado

2021-10-21

Edição

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Artigos