Impedimentos no país do futebol

Autores

DOI:

https://doi.org/10.1590/1806-9584-2021v29n373166

Palavras-chave:

futebol feminino, gênero, imaginário coletivo, método psicanalítico.

Resumo

Nesta pesquisa, objetivamos investigar o imaginário coletivo de atletas de futebol feminino sobre a carreira de futebolistas profissionais na perspectiva da psicologia psicanalítica concreta. Organiza-se como pesquisa qualitativa com o uso do método psicanalítico, abordando jogadoras que participaram de uma entrevista psicológica coletiva, mediada pelo Procedimento de Desenhos-Estórias com Tema. Os resultados apresentam-se sob forma de três campos de sentido afetivo-emocional: “Viver é lutar”, “O futebol me salvou” e “Futebol é coisa de homem”, indicando que as atletas imaginam o futebol como caminho de superação da pobreza e desigualdade a partir do esforço pessoal, segundo adesão a crenças meritocráticas. Por outro lado, sentem-se atingidas por visões sexistas, que não concebem feminilidades e futebol como compatíveis, o que dificulta concretamente a vida profissional das jogadoras.

Biografia do Autor

Annie Rangel Kopanakis, Pontifícia Universidade Católica de Campinas

Psicóloga, Mestre em Ciências Sociais pela UNESP-Araraquara e doutoranda em Psicologia pela PUC-Campinas.

annie_rk@hotmail.com

Gustavo Renan de Almeida da Silva, Pontifícia Universidade Católica de Campinas

Gustavo Renan de Almeida da Silva (gustavo.renan.almeida@gmail.com) é psicólogo, mestrando em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas.

Tânia Maria José Aiello Vaisberg, Pontifícia Universidade Católica de Campinas

Tânia Maria José Aiello-Vaisberg (aiello.vaisberg@gmail.com) é Livre Docente em Psicopatologia pela Universidade de São Paulo. Docente da Pontifícia Universidade Católica de Campinas.

 

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Publicado

2021-12-10

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Artigos