Corpo laboratório: experimentos de mulheres fisiculturistas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.1590/1806-9584-2021v29n279290

Palavras-chave:

corpo, técnica, subjetividade, fisiculturismo, mulheres

Resumo

O objetivo deste trabalho foi entender como mulheres praticantes de fisiculturismo conformam suas subjetividades atléticas por meio da modificação corporal extrema. Realizamos entrevistas semiestruturadas, de maneira remota via plataforma Jitsi Meet, com três atletas selecionadas conforme seu tempo de prática e experiência em distintas categorias do fisiculturismo. Nossa análise foi conduzida pelas técnicas que atuam no desenvolvimento de uma identidade esportiva das fisiculturistas pesquisadas, a saber: treinamento, alimentação e química. Os dados mostram que o corpo dessas mulheres pode ser pensado em analogia a um laboratório, ‘lugar’ de experimentos extremos e testagens constantes que geram um tipo de desempenho atlético, bem como um tipo de subjetividade atlética.

Biografia do Autor

Michelle Carreirão Gonçalves, UFRJ

Doutora e mestre em Educação pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), licenciada em Educação Física e bacharel em Filosofia pela UFSC. Professora do Departamento de Didática da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); pesquisadora do Laboratório de Pesquisas em Educação do Corpo (UFRJ) e do Núcleo de Estudos e Pesquisas Educação e Sociedade Contemporânea (UFSC).

Amanda Torres Vieira da Costa

Doutoranda em Ensino de Ciências e graduanda em Nutrição na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mestre em Ensino de Ciências pela UFRJ. Professora de Química e Educação Física, especialista em Treinamento de força, Fisiologia do exercício e Obesidade e emagrecimento. Servidora Técnica da UFRJ e professora da Rede Estadual de Ensino do Rio de Janeiro.

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Publicado

2021-10-21

Edição

Seção

Gênero, tecnologias e (novas) formas de subjetivação nas práticas esportivas