Expressões e corporalidades de mulheres cis e homens trans no ambiente futebolístico

Autores

DOI:

https://doi.org/10.1590/1806-9584-2021v29n279331

Palavras-chave:

corpo, gênero, transexualidade, transmasculinidades, futebol

Resumo

Neste artigo trazemos as reflexões etnográficas de dois campos de pesquisa distintos. O objetivo é evidenciar como as estruturas machistas e LGBTfóbicas são vivenciadas por mulheres e também por homens trans durante a prática esportiva futebolística. Sabe-se que os esportes, sobretudo o futebol, são considerados campos privilegiados na produção e reiteração de expressões normativas de masculinidade, visto que tomam o homem cisgênero e heterossexual como o seu natural praticante e interlocutor. Em razão disso, o machismo e a LGBTfobia são estruturantes do campo futebolístico, uma vez que mulheres e pessoas LGBTQI+ são ainda constantemente interpeladas e veem a sua presença nesse campo ser recorrentemente questionada e até mesmo depreciada.

Biografia do Autor

Mariane da Silva Pisani, Universidade Federal do Tocantins.Professora Adjunta-A.

Doutora em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (USP), mestra em Antropologia Social e bacharela em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Professora do Departamento de Antropologia da Universidade Federal do Tocantins. Coordenadora do Grupo de Pesquisa em Antropologia Social e Interseccionalidades, no qual desenvolve pesquisas sobre Gênero e Sexualidades, Antropologia Audiovisual, Antropologia dos Esportes e Práticas de Lazer.

Mauricio Rodrigues Pinto, Universidade de São Paulo

Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da USP (PPGAS/USP), mestre em Mudança Social e Participação Política e bacharel em História pela Universidade de São Paulo (USP). Pesquisador do Núcleo de Estudos sobre Marcadores Sociais da Diferença (NUMAS/USP), desenvolvendo pesquisas sobre as relações entre esporte, gênero e sexualidades.

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Publicado

2021-10-21

Edição

Seção

Gênero, tecnologias e (novas) formas de subjetivação nas práticas esportivas