MULHERES BUDISTAS COMO LÍDERES E PROFESSORAS

Rita M. Gross

Resumo


http://dx.doi.org/10.1590/S0104-026X2005000200015

No budismo, o papel do professor de dharma (religioso) é a função mais prestigiosa, e o professor de dharma tem mais autoridade do que qualquer outro líder. Apesar de os ensinamentos budistas não conterem nenhuma doutrina que limite essa função ao homem, na prática, em toda a história budista, foram pouquíssimas as mulheres que se tornaram conhecidas como professoras de dharma. Algumas pessoas acham que essas práticas não prejudicam as mulheres, porque estas podem, ainda assim, receber os ensinamentos, fazer as práticas mais avançadas e obter altos níveis de esclarecimento espiritual. Contudo, eu afirmo que o fato de não haver professoras de dharma reconhecidas foi nocivo seja para as mulheres budistas, seja para o próprio budismo. Isso tem a ver com o legado das comunidades de monjas em muitas partes do mundo budista, com os baixos padrões de educação para as mulheres, com o fraco prestígio de que gozam as praticantes mulheres, com a falta de modelos para as mulheres e com a perda da sabedoria feminina na herança do pensamento budista. Até que as professoras de dharma não forem amplamente reconhecidas e honradas, o budismo continuará sendo perseguido por seu passado patriarcal, com o prejuízo de todos.


Palavras-chave


budismo; professor/a de dharma; comunidades de monjas (sangha); modelos

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Rev. Estud. Fem., ISSN 1806-9584, Florianópolis, Brasil.