História noturna de Nossa Senhora do Risca-Faca

John C. Dawsey

Resumo


No Jardim das Flores, sobre as cinzas do antigo bairro do Risca-Faca, vivem as filhas – ou netas e bisnetas – de escravas e “índias laçadas no mato”. Muitas delas também se consideram filhas de Nossa Senhora. A justaposição das linhagens maternas pode suscitar um efeito de montagem. Nas inervações corporais de Nossas Senhoras não lampejam, também, os gestos de índias e escravas? Nos subterrâneos dos símbolos se encontram indícios de “histórias noturnas” de Nossa Senhora. Sobre esse terreno, o estudo de processos de povoamento em Piracicaba, no interior paulista, requer uma espécie de arqueologia: um duplo deslocamento, de um bandeirante povoador a Nossa Senhora, e de Nossa Senhora às índias e escravas “laçadas no mato”. Nesses fundos, o gesto de uma mulher “boia-fria” que “fez picadinho de um homem” agita as sombras de uma nação.


Palavras-chave


Gênero; Nossa Senhora; Mulher Abjeta; Teatro da Crueldade; “Boias-frias”

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DOI: https://doi.org/10.1590/S0104-026X2009000100008

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Revista Estudos Feministas, ISSN 1806-9584, Florianópolis, Brasil.