Operárias no Cariri cearense: fábrica, família e violência doméstica

Iara Maria Araújo, Jacob Carlos Lima, Izabel Cristina Ferreira Borsoi

Resumo


Neste artigo discutimos as mudanças representadas pela entrada de mulheres no trabalho fabril numa região de industrialização recente, buscando verificar em que medida essa inserção, em um contexto de crise do emprego e em uma região marcada pela informalidade de parte significativa das atividades econômicas, tem influenciado a redefinição dos papéis familiares e acentuado conflitos geradores de violência doméstica. Foram realizadas entrevistas com 14 mulheres que denunciaram algum tipo de violência praticada por seus maridos ou companheiros na Delegacia Regional da Mulher, no município de Crato, CE. Os dados obtidos apontam, entre outros aspectos, que a entrada das mulheres na esfera pública e a autonomia financeira, propiciadas pelo trabalho fabril, tendem a provocar mudanças nos tradicionais papéis de gênero, cujas consequências tem se expressado no questionamento do lugar do homem como provedor, nos rompimentos do grupo familiar e violência doméstica contra as trabalhadoras.


Palavras-chave


Operárias Fabris; Papéis de Gênero; Industrialização no Nordeste; Violência Doméstica

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DOI: https://doi.org/10.1590/S0104-026X2011000300004

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Revista Estudos Feministas, ISSN 1806-9584, Florianópolis, Brasil.