Transição paradigmática e meio ambiente: posição de dois grupos etários

Ariane Kuhnen, Maíra Longhinotti Felippe, Daniela Xavier Morais

Resumo


O modo como as pessoas percebem, representam e valorizam o meio ambiente permite compreender comportamentos que o afetam. Assim, buscamos caracterizar as representações sociais da natureza, do meio ambiente e da água, e as crenças ambientais de 133 jovens e 100 adultos maduros. Os dados dos dois grupos etários foram comparados a fim de se poder vislumbrar a evolução do pensamento ecológico entre gerações. Utilizando a Escala NEP, encontramos um sistema de crenças biocêntrico para ambos os grupos etários, não tendo sido observada diferença estatisticamente significativa entre eles. As representações sociais, obtidas através de questionário de evocações livres, também se apresentaram similares nos dois grupos. Verificamos, todavia, que a identificação ao paradigma biocêntrico não foi confirmada pelo estudo das representações sociais, que apontou tanto elementos biocêntricos como antropocêntricos. Tais contradições sugerem um processo gradual de transição de paradigmas, em que ambas as visões de mundo coexistem.


Palavras-chave


Psicologia ambiental; Representação social; Atitudes; Meio ambiente

Texto completo:

PDF

Referências


ABRIC, J.-C. Les représentations sociales: aspects théoriques. In: _____. Pratiques sociales et représentations. Paris: Press Universitaires de France, 1994. p. 11-35.

AMÉRIGO, M. Concepciones del ser humano y la naturaleza desde el antropocentrismo y el biosferismo. Medio Ambiente Y Comportamiento Humano, v.3, n.10, p.217-234, 2009. Disponível em: http://mach.webs.ull.es/PDFS/Vol10_3/Vol10_3_c.pdf. Acesso em: 23 abr. 2014.

BERTOLDO, R.; CASTRO, P.; BOUSFIELD, A. B. S. Pro-environmental beliefs and behaviors: two levels of response to environmental social norms. Revista Latinoamericana de Psicología, v.45, n.3, p.437-448, 2013. Disponível em: http://www.scielo.org.co/pdf/rlps/v45n3/v45n3a09.pdf. Acesso em: 23 abr. 2014.

CASTRO, P. Pensar a natureza e o ambiente: alguns contributos a partir da Teoria das Representações Sociais. Estudos de Psicologia, v.8, n.2, p.263-271, 2003. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/epsic/v8n2/19042.pdf. Acesso em: 23 abr. 2014.

CASTRO, P. Crenças e atitudes em relação ao meio ambiente e à natureza. In: SOCZA, L. (Org.). Contextos humanos e psicologia ambiental. 2. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbekian, 2005. p.169-201.

CORRAL-VERDUGO, V. A structural model of proenvironmental competency. Environment and Behavior, v.34, n.4, p.531-549, 2002. Disponível em: http://eab.sagepub.com/content/34/4/531.short. Acesso em: 23 abr. 2014.

CORRAL-VERDUGO, V.; VARELA-ROMERO, C.; GONZÁLEZ-LOMELÍ, D. O papel da psicologia ambiental na promoção de competência pró-ambiental. In: TASSARA, E. T. O.; RABINOVICH, E. P.; GUEDES, M. D. C. (Orgs.). Psicologia e ambiente. São Paulo: EDUC, 2004. p.41-57.

CORRALIZA, J. A.; BETHELMY, L. C. Vinculación a la naturaleza y orientación por la sostenibilidad. Revista de Psicología Social, v.26, n.3, p.325-336, 2011. Disponível em: http://www.ingentaconnect.com/content/fias/rdps/2011/00000026/00000003/art00002. Acesso em: 23 abr. 2014.

CORRALIZA, J. A.; COLLADO, S.; BETHELMY, L. Spanish version of the new ecological paradigm scale for children. The Spanish Journal of Psychology, v.16, n.E27, 2013. Disponível em: http://journals.cambridge.org/action/displayAbstract?fromPage=online&aid=8937112. Acesso em: 23 abr. 2014.

DANCEY, C. P.; REIDY, J. Estatística sem matemática para psicologia: usando SPSS para Windows. 3. ed. Tradução L. Viali. Porto Alegre: Artmed, 2006.

DUNLAP, R. E. et al. Measuring endorsement of the new ecological paradigm: a revised NEP scale. Journal of Social Issues, v.56, n.3, p.425-442, 2000. Disponível em: http://academic.evergreen.edu/s/smitht/NEP%20Revised%20study%202000.pdf. Acesso em: 23 abr. 2014.

GUIMELLI, C. Concerning the structure of social representations. Papers on social representations, v.2, n.2, p.85-92, 1993. Disponível em: http://www.psych.lse.ac.uk/psr/PSR1993/2_1993Guime.pdf. Acesso em: 23 abr. 2014.

HAWCROFT, L. J.; MILFONT, T. L. The use (and abuse) of the new environmental paradigm scale over the last 30 years: a meta-analysis. Journal of Environmental Psychology, v.30, n.2, p.143-158, 2010. Disponível em: http://ac.els-cdn.com/S0272494409000772/1-s2.0-S0272494409000772-main.pdf?_tid=1a8e6718-caff-11e3-9564-00000aab0f01&acdnat=1398268456_fefa27bd95c2fe9e33de676a7d748585. Acesso em: 23 abr. 2014.

INGLEHART, R.; ABRAMSON, P. R. Measuring postmaterialism. American Political Science Review, v.93, n.3, p.665-677, 1999. Disponível em: http://www.jstor.org/stable/2585581. Acesso em: 23 abr. 2014.

JODELET, D. Representações sociais: um domínio em expansão. In: _____. As representações sociais. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2001. p.17-44.

KUHNEN, A. Lagoa da Conceição: meio ambiente e modos de vida em transformação. Florianópolis: Cidade Futura, 2004.

KUHNEN, A. Comportamento sócio-espaciais e a relação humano-ambiental. In: KUHNEN, A.; CRUZ, R. M.; TAKASE, E. (Orgs.). Interações pessoa-ambiente e saúde. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2009. p.15-35.

KUHNEN, A. Falando sobre os caminhos que chegaram à tese "Representações sociais de meio ambiente na Lagoa da Conceição/Florianópolis, SC". In: RIAL, C.; TOMIELLO, N.; RAFFAELLI, R. (Orgs.). A aventura interdisciplinar: quinze anos de PPGICH/UFSC. Blumenau: Nova Letra, 2010. p.231-233.

KUHNEN, A. et al. Relações entre representações sociais da água, da natureza e do meio ambiente e crenças ambientais. In: VILLODRES, M. C. H. et al. (Orgs.). Espaços urbanos y sostenibilidad: claves para la ciencia y la gestión ambiental. Almería: Universidad de Almería, 2011. p.331-340.

MOSCOVICI, S. A representação social da psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar, 1978.

NASCIMENTO-SCHULZE, C. M. et al. Atitudes frente ao novo paradigma ambiental: um estudo no contexto turístico de Florianópolis. Revista de Ciências Humanas, n.6, p.215-224, 2002. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/revistacfh/article/view/25849/22633. Acesso em: 23 abr. 2014.

OLIVOS, P.; ARAGONÉS, J. I. Test de asociaciones implícitas con la naturaleza: aplicación en España del “IAT-Nature”. Revista de Psicología Social, v.28, n.2, p.237-245, 2013. Disponível em: http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1174/021347413806196672?journalCode=rrps20#preview. Acesso em: 23 abr. 2014.

PINHEIRO, J. Q. Comprometimento ambiental: perspectiva temporal e sustentabilidade. In: MARTÍNEZ, J. G.; DOMÉNECH, S. M. (Orgs.). Temas selectos de psicologia ambiental. México: UNAM-GRECO-FUNDACIÓN UNILIBRE, 2002. p.463-481.

PINHEIRO, J. Q. Psicologia ambiental brasileira no início do século XXI: sustentável? In: YAMAMOTO, O. H.; GOUVEIA, V. V. (Orgs.). Construindo a psicologia brasileira: desafios da ciência e prática psicológica. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2003. p.279-313.

POLLI, G. M.; KUHNEN, A. Possibilidades de uso da teoria das representações sociais para os estudos pessoa-ambiente. Estudos de Psicologia, v.16, n.1, p.57-64, 2011. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-294X2011000100008&script=sci_arttext. Acesso em: 23 abr. 2014.

RAYMUNDO, L. D. S.; KUHNEN, A. A psicologia e a educação ambiental. Revista de Ciências Humanas, v.44, p.435-450, 2010. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/revistacfh/article/view/2178-4582.2010v44n2p435/20918. Acesso em: 23 abr. 2014.

SEVILLANO, V.; ARAGONÉS, J. I. Percepción social de la conducta de los españoles en materia medioambiental. Revista Española de Investigaciones Sociológicas, v.126, p.127-149, 2009. Disponível em: http://www.reis.cis.es/REIS/PDF/REIS_126_051238571681079.pdf. Acesso em: 23 abr. 2014.

STOKOLS, D. Environmental Psychology. Annual Review of Psychology, v.29, p. 253-295, 1978. Disponível em: http://www.annualreviews.org/doi/pdf/10.1146/annurev.ps.29.020178.001345. Acesso em: 23 abr. 2014.

VALERA, S. Psicologia ambiental: bases teóricas y epistemológicas. In: IÑIGUEZ, L.; POL, E. (Orgs.). Cognición, representación y apropiación del espacio. Barcelona: Universidad de Barcelona Publicacions, 1996. p.1-14.

WIESENFELD, E. A Psicologia Ambiental e as diversas realidades humanas. Psicologia USP, v.16, n.1/2, p.53-69, 2005. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-65642005000100008&script=sci_arttext. Acesso em: 23 abr. 2014.




DOI: https://doi.org/10.5007/2178-4582.2019.e59697

Direitos autorais 2019 Ariane Kuhnen, Maíra Longhinotti Felippe, Daniela Xavier Morais

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

R. Ci. Hum. Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil, ISSNe 2178-4582

Creative Commons License Todo o conteúdo do periódico, exceto onde está identificado, está licenciado sob uma Licença Creative Commons

 

.