“É uma pena que você não entenda inglês": amazonialismo e colonialismo digital em narrativas de fãs
DOI:
https://doi.org/10.5007/1807-9288.2025.e109274Palavras-chave:
Amazônia, Fanfiction, Amazonialismo, Fandom, Colonialismo digitalResumo
A Amazônia vem sendo representada de maneira estereotipada, tanto como Eldorado quanto como Inferno Verde. A este processo de construção de um imaginário eurocêntrico acerca da região, o pesquisador Gerson Alburquerque Rodrigues (2017) denomina “Amazonialismo". Esta pesquisa problematiza como tal fenômeno se manifesta no projeto colonial moderno manifesto através da digitalidade, questionando a possível contribuição das narrativas de fãs para a manutenção da violência simbólica no que diz respeito aos discursos que circulam sobre o Norte do Brasil. Nesse panorama, o objetivo deste estudo foi analisar a representação da Amazônia em fanfictions. Para estabelecer tal debate, o referencial teórico mobilizado pautou-se nas reflexões provocadas por Bhabha (2013), Hall (2016), Gondim (1994), Santos (2019), Spivak (2010), Paes Loureiro (1995), entre outros autores. Os resultados apontam que, nas fanfictions, a Amazônia é tratada como um espaço selvagem, habitado por povos “primitivos”. Em primeiro lugar, observou-se uma romantização da região, como um paraíso intocado pela civilização. Essa idealização ignora a presença e os direitos das comunidades indígenas e tradicionais que há séculos habitam a região. Além disso, as fanfictions tendem a tratar os habitantes da Amazônia reproduzindo imagens exóticas e hipersexualizadas. Outro aspecto identificado é o lugar da Amazônia como ambientação para Universos Alternativos (UA), locus de aventura e exploração para protagonistas de países anglófonos hegemônicos, preferencialmente estadunidenses, reforçando a noção de superioridade e domínio sobre o território e seus recursos naturais. Essas narrativas têm o potencial de influenciar a percepção das comunidades de fãs de maneira insidiosa.
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