Ilhas do futuro: tecendo o discurso utópico-imperial (Pero Vaz de Caminha, Thomas Morus, Luis de Camões, José de Anchieta, António Vieira e Gregório de Matos)

Autores

  • Romana Radlwimmer Goethe-Universität Frankfurt

DOI:

https://doi.org/10.5007/2176-8552.2024.e100254

Palavras-chave:

Utopia, Império, Ilha, futuro, Idade Moderna

Resumo

Império e utopia estiveram sempre ligados. Este artigo aborda o discurso utópico-imperial criado no início do período moderno, através de vários textos, protagonistas e imagens lusófonas. O discurso caracterizou-se tanto a nível local, como uma ilha quase ideal, como a nível temporal, como um futuro melhor. Observa-se – com a contínua redução histórica das lacunas cartográficas no imaginário europeu – a tendência de pensar a utopia imperial como um espaço perfeito no século XVI e, no século XVII, mais como um tempo futuro desejado. Além disso, o discurso utópico-imperial já apresenta todos os sinais assustadores daquilo a que se chama de “distopia” a partir da Idade Moderna. A análise textual vai desde os primeiros documentos do chamado “achamento do Brasil” – a carta de Pero Vaz de Caminha (1500) e o Planisfero de Cantino (1502) –, passando pela Vtopia (1516) de Thomas More, Os Lusíadas (1572) de Luis de Camões, e Arte de grammatica (1595) de José de Anchieta, até História do futuro (1649/1718) de António Vieira e aos poemas de Gregório de Matos do final do século XVII.

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Publicado

2024-12-03

Edição

Seção

Tecendo futuros. Utopias e distopias contra/coloniais