Cesário Verde “lido” por Klossowski:Tableux Vivants

Autores

  • António Carlos Cortez Fundação Calouste Gulbenkian

DOI:

https://doi.org/10.5007/2176-8552.2010n10p127

Palavras-chave:

Sadismo, Erotismo, Alegoria, Capitalismo, Símbolo, Representação, Decadência, Modernidade

Resumo

Pretende-se, neste ensaio, interrogar a poesia de Cesário Verde segundo a leitura de Pierre Klossowski, ou melhor, equacionar até que ponto a poética cesárica não confirma, na transição do século XIX para o século XX, uma sensibilidade que é avant la lettre uma sensibilidade klossowskiana, tal qual a podemos definir ao reler Pierre Klosssowski, teórico do sadismo e autor de Sade Meu Próximo (1993). Recuperando as teses de Helder Macedo sobre o erotismo de humilhação e as relações entre bucolismo e sexualidade, pretendemos postular que: 1) A poesia de Cesário e a obra de Klossowsski podem interagir enquanto “linguagens” correlatas de uma mesma mundividência – moderna, capitalista, sexualizada, apocalíptica, para além da evidente interpretação histórica do antibritanismo no Portugal do século XIX; 2) que a reflexão de Klossowski sobre a “Moeda viva” e a  representação moderna da cidade e das relações masculino/ feminino relaciona-se com o advento de uma lógica mercantilista das relações eróticas com base numa crise da modernidade que é, antes de tudo, uma crise da forma e função do eros; 3) que essa crise se traduz numa linguagem poética – a de Cesário Verde – na qual encontramos um tratamento novo do real urbano, sexualizado, antropomorfizando a cidade e/ou bestializando o homem e o seu olhar sobre a mulher; 4) que, por último, Cesário Verde, lido segundo uma chave klossowskiana, é uma voz absolutamente nova no contexto da modernidade poética portuguesa; leitura que encontra legitimação nas teses de Helder Macedo relativamente ao sadismo no autor de “Sentimento dum Ocidental”.

Biografia do Autor

António Carlos Cortez, Fundação Calouste Gulbenkian

Professor de Literatura Portuguesa. Crítico literário do Jornal de Letras. Colaborador permanente das
revistas Relâmpago e Colóquio/Letras, da Fundação Calouste Gulbenkian.

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Publicado

2010-01-01