Cesário Verde “lido” por Klossowski:Tableux Vivants

António Carlos Cortez

Resumo


Pretende-se, neste ensaio, interrogar a poesia de Cesário Verde segundo a leitura de Pierre Klossowski, ou melhor, equacionar até que ponto a poética cesárica não confirma, na transição do século XIX para o século XX, uma sensibilidade que é avant la lettre uma sensibilidade klossowskiana, tal qual a podemos definir ao reler Pierre Klosssowski, teórico do sadismo e autor de Sade Meu Próximo (1993). Recuperando as teses de Helder Macedo sobre o erotismo de humilhação e as relações entre bucolismo e sexualidade, pretendemos postular que: 1) A poesia de Cesário e a obra de Klossowsski podem interagir enquanto “linguagens” correlatas de uma mesma mundividência – moderna, capitalista, sexualizada, apocalíptica, para além da evidente interpretação histórica do antibritanismo no Portugal do século XIX; 2) que a reflexão de Klossowski sobre a “Moeda viva” e a  representação moderna da cidade e das relações masculino/ feminino relaciona-se com o advento de uma lógica mercantilista das relações eróticas com base numa crise da modernidade que é, antes de tudo, uma crise da forma e função do eros; 3) que essa crise se traduz numa linguagem poética – a de Cesário Verde – na qual encontramos um tratamento novo do real urbano, sexualizado, antropomorfizando a cidade e/ou bestializando o homem e o seu olhar sobre a mulher; 4) que, por último, Cesário Verde, lido segundo uma chave klossowskiana, é uma voz absolutamente nova no contexto da modernidade poética portuguesa; leitura que encontra legitimação nas teses de Helder Macedo relativamente ao sadismo no autor de “Sentimento dum Ocidental”.

Palavras-chave


Sadismo; Erotismo; Alegoria; Capitalismo; Símbolo; Representação; Decadência; Modernidade

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DOI: https://doi.org/10.5007/2176-8552.2010n10p127



outra travessia, eISSN 2176-8552, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil.

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