Tradição, tragicidade e crítica social em Dorotéia, a “farsa irresponsável” de Nelson Rodrigues

Autores

  • Sandra Amélia Luna Cirne de Azevêdo UFPB

DOI:

https://doi.org/10.5007/2176-8552.2013n16p163

Palavras-chave:

Nelson Rodrigues, Dorotéia, Teoria do Drama, Tragédia Moderna, Teatro Brasileiro

Resumo

A verossimilhança sempre foi amplamente explorada pela imaginação artística. Poetas trágicos e cômicos tramaram situações as mais criativas, buscando mover o público ao riso ou às lágrimas. Tradicionalmente, entretanto, recaem limites sobre as representações dramáticas, a depender dos efeitos que os autores pretendem provocar. Assim, ainda que eventos impossíveis tenham participado da tragédia desde suas origens, e ainda que o humor tenha sido ocasionalmente acolhido nas tramas, o tratamento sério da ação sempre foi exigência da forma, de maneira a que o trágico não se fizesse cômico. Com o passar dos séculos, dramaturgos desafiariam as definições de tragédia e comédia, preparando as bases para o drama social. A dramatização de conflitos da vida burguesa rapidamente absorveria um amplo espectro de tons emocionais, abolindo convenções antigas em favor de um gênero que se quer lócus privilegiado de crítica social. O trágico poderia agora ser dramatizado sob perspectivas as mais diversas, inclusive farsescas. Este ensaio examina a tragicidade na peça Dorotéia, de Nelson Rodrigues, focalizando as relações da obra com a tradição e considerando, através do conceito de “dispositivo” formulado por Agamben, estratégias utilizadas pelo dramaturgo para produzir uma crítica sarcástica a valores e instituições sociais.

Biografia do Autor

Sandra Amélia Luna Cirne de Azevêdo, UFPB

Professora Associada do Departamento de Letras Estrangeiras Modernas, docente do Programa de Pós-Graduação em Letras. Áreas de atuação: Teoria e História Literária; Dramaturgia; Literatura Comparada.

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Publicado

2014-07-11

Edição

Seção

Artigos