Ao rés do chão — Figuras da prosa nas poéticas de Fernando Assis Pacheco e Manuel de Freitas

Tamy de Macedo Pimenta

Resumo


Este artigo busca pensar as configurações da ideia de prosa no âmbito temático (presença do quotidiano e de elementos banais) e formal (linguagem simples, prosaica e narrativa, com termos e expressões do dia a dia) na obra poética de Fernando Assis Pacheco (1937-1995) e Manuel de Freitas (1972 — ). Atentando-nos especialmente para como cada um expressa sua relação com a poesia e seu entendimento dela por meio do discurso poético e, no caso de Manuel de Freitas, também do crítico, intenta-se salientar como essas obras, ainda que distantes temporalmente — já que Freitas só começa a publicar nos anos 2000 —, compartilham uma noção não-aurática de poesia, por vezes escrevendo, como diria outro poeta, “ao nível das priscas/dos outros”  e declarando categoricamente para que “Peçam a grandiloquência a outros/ acho-a pulha no estado actual da economia”  ou, ainda, que “Onde se lê poesia deve ler-se nada” , declarando a impotência do próprio gesto de escrita poética. 


Palavras-chave


Poesia contemporânea; Prosaísmo; Fernando Assis Pacheco; Manuel de Freitas

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DOI: https://doi.org/10.5007/2176-8552.2018n25p45



outra travessia, eISSN 2176-8552, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil.

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