Das ilusões do real às verdades da fantasia: configurações da psicologia infantil em A bicicleta que tinha bigodes, de Ondjaki

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/2176-8552.2019.e73280

Palavras-chave:

Literatura infantil angolana, Psicanálise, A bicicleta que tinha bigodes.

Resumo

Pretendemos, no presente artigo, realizar uma leitura de A bicicleta que tinha bigodes (2013), romance infanto-juvenil de Ondjaki. Confrontadas, por um lado, com problemas “externos”, relativos à precária situação socioeconômica do seu país, que, na altura dos eventos narrados na obra em questão, encontrava-se em meio a uma violenta guerra civil, e, por outro, com problemas “internos”, de ordem mais psicológica e afetiva, as crianças imaginadas por Ondjaki conseguem representar a complexa psicologia infantil. É precisamente esse último aspecto que a nossa análise irá privilegiar, ao escolher como chave de leitura a construção psicológica de algumas das personagens principais. Pretendemos, dessa forma, examinar a representação do universo psicológico infantil no referido romance, em especial quando este é confrontado com a psicologia adulta. Para tanto, recorremos, principalmente, ao aparato teórico da psicanálise, mas também nos servimos de algumas considerações de ordem socio-histórica, imprescindíveis para compreensão integral do corpus elencado.

Biografia do Autor

Vanessa Riambau Pinheiro, Universidade Federal da Paraíba, Brasil

Vanessa Riambau Pinheiro é doutora em Literatura pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Desde 2012, é Professora Adjunta na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), onde atua na graduação e na pós-graduação. Tem quatro livros publicados na área de crítica literária.

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Publicado

2020-12-14