Estandarte do impulso irônico: três dimensões poéticas do Carnaval brasileiro no século XIX
DOI:
https://doi.org/10.5007/2176-8552.2026.e98877Palavras-chave:
poesia brasileira, ironia, retórica, CarnavalResumo
A partir do recorte temporal que contempla os anos entre 1853 – proibição do jogo do entrudo no Rio de Janeiro – e 1907 – fundação da primeira grande escola de samba – este artigo investiga o legado literário de três poetas que versaram sobre o carnaval no período: o poema “Lá vai verso!”, publicado em Primeiras trovas burlescas de Getulino (1859), de Luiz Gama (1830-1882); o poema “O Entrudo” parte do póstumo Poesias (1863), de Francisco de Paula Brito (1809-1861); e o poema em prosa “Asco e Dor”, no também póstumo volume Evocações (1898), de Cruz e Sousa (1861-1898). As percepções sobre a potência simbólica da festa nesses textos permitem dois enfoques de apreciação: a) a forma como cada poema justapõe uma das três dimensões do carnavalesco exploradas por Mikhail Bakhtin (2002) na antiga sátira menipeia; b) o mapeamento conceitual da ironia em cada poema, cujos recursos retóricos abrangem a urbanidade horaciana, a parábase romântica schlegeliana, e a consciência dolorosa baudelairiana (de Man, 1999). Tal impulso irônico, na tipologia cênica do carnaval retratado por sujeitos líricos explicitamente negros, amalgama os âmbitos social e simbólico do evento na epifania da dissimulação poética.
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