Cárcere privado: desafios para atenção primária e psicossocial no norte do Piauí

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João Paulo Macedo
Adrielly Pereira de Sousa
Adrielli M. B. de Oliveira Silva
José Luís C. C. Teixeira
Gabriela Fernandes Veras

Resumo

Apesar de todos os avanços do processo de reforma psiquiátrica no Brasil, no que tange a ampliação da rede de atenção psicossocial, o cárcere privado se perpetua até hoje como resposta ao transtorno mental em várias localidades do país. Deste modo, objetivamos com este estudo identificar os casos em situação de cárcere privado do município de Parnaíba, região norte do estado do Piauí, além de conhecer a realidade em que vivem tais famílias. Trata-se de uma pesquisa de desenho descritivo exploratório, em que identificamos 10 casos de cárcere no município. A etapa de campo ocorreu por meio de visitas domiciliares aos casos identificados e contou com uso do diário, observação participante e entrevista semi estruturada. Como resultados: sete são do sexo masculino e três feminino; idade entre 21 a 52 anos; sete cuidadores não souberam especificar o diagnóstico, dois sofrem de esquizofrenia e um de depressão grave; apenas um dos casos não faz uso de medicamentos; os demais vêm de longa data com histórias de internação e estão sem revisão da receita há mais de um ano. O encontro com essa realidade fez conhecermos condições degradantes de vida, sob a marca da exclusão, do abandono e do estigma. A condição de cárcere depõe aqueles sujeitos de qualquer direito, que se não encarado pelos profissionais e serviços com a urgência necessária, impera-se a ausência do papel do Estado como agente na proteção de direitos. À família, portanto, sozinha, restará a busca de soluções extremas para os problemas que enfrentam.

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Como Citar
MACEDO, J. P.; SOUSA, A. P. de; SILVA, A. M. B. de O.; TEIXEIRA, J. L. C. C.; VERAS, G. F. Cárcere privado: desafios para atenção primária e psicossocial no norte do Piauí. Cadernos Brasileiros de Saúde Mental/Brazilian Journal of Mental Health, [S. l.], v. 7, n. 16, p. 117-136, 2015. DOI: 10.5007/cbsm.v7i16.68836. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/cbsm/article/view/68836. Acesso em: 27 set. 2022.
Seção
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