Etnografia e desisntitucionalização da loucura: um estudo no contexto das residências terapêuticas

Autores

  • Pedro Machado Ribeiro Neto Universidade Federal do Espírito Santo - UFES.
  • Luziane Zacché Avellar Professora Associado III da Universidade Federal do Espírito Santo Programa de Pós Graduação em Psicologia Departamento de Psicologia Social e do Desenvolvimento
  • Mariana Bonomo Graduada e Doutora em Psicologia pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), com trabalhos de pesquisa e de intervenção vinculados à Psicologia social. Atualmente, é Professora do Departamento de Psicologia Social e do Desenvolvimento e do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFES.

Palavras-chave:

Residências terapêuticas, Desinstitucionalização, Etnografia, Observação participante, Relações intergrupais.

Resumo

Apresentaremos, neste artigo, a realização de uma pesquisa conduzida por meio de perspectiva etnográfica em um bairro onde se localizam cinco residências terapêuticas, próximo de um hospital psiquiátrico recentemente desativado. Objetivamos discutir o processo de desinstitucionalização da loucura a partir da prática etnográfica realizada no bairro em questão. Os dados que apresentaremos referem-se às análises dos diários de campo decorrentes das observações participantes realizadas pelo autor principal deste artigo, dados que foram analisados mediante análise de conteúdo temática. Organizamos os resultados em duas categorias principais: habitantes do bairro e moradores das residências terapêuticas. Destacamos que os habitantes do bairro se referiram às residências terapêuticas como “lar dos idosos”, o que confere aos moradores um aspecto diferente do âmbito da patologia e situa a discussão no terreno das relações intergrupais, remetendo aos processos de constituição da identidade social dos habitantes. Na pesquisa de campo, encontramos e interagimos com moradores das residências terapêuticas no bairro, nos dando indícios de que estes frequentam os comércios e se apropriam dos espaços públicos, situação que vai ao encontro das políticas de saúde mental que objetivam a reintegração comunitária. Por fim, concluímos que a perspectiva etnográfica se mostrou apropriada para compreender parte do universo das relações sociais estabelecidas com os moradores das residências terapêuticas, contribuindo para o aprimoramento de estratégias metodológicas nesse campo e também para a problematização dos processos de desinstitucionalização e dos próprios serviços de saúde mental.

Biografia do Autor

Pedro Machado Ribeiro Neto, Universidade Federal do Espírito Santo - UFES.

Psicólogo. Doutor em psicologia pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal do Espírito Santo – PPGP / UFES.

Luziane Zacché Avellar, Professora Associado III da Universidade Federal do Espírito Santo Programa de Pós Graduação em Psicologia Departamento de Psicologia Social e do Desenvolvimento

Professora do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFES.

Mariana Bonomo, Graduada e Doutora em Psicologia pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), com trabalhos de pesquisa e de intervenção vinculados à Psicologia social. Atualmente, é Professora do Departamento de Psicologia Social e do Desenvolvimento e do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFES.

Professora do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFES.

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Publicado

2016-04-04

Edição

Seção

Número Temático: A terapêutica e a natureza do terapêutico