Voluntariado e eficiência operacional em serviços de emergência: Evidências do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina
DOI:
https://doi.org/10.5007/2175-8085.2025.e112532Palavras-chave:
voluntariado, serviços de emergência, tempo de resposta, bombeiros, inferência causalResumo
Investigamos se a presença de voluntários aumenta a eficiência operacional do atendimento pré-hospitalar realizado pelo Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina em contextos de simultaneidade de chamados. A análise concentra-se em dois intervalos centrais do processo de resposta: o tempo de mobilização, definido como o período entre o acionamento e a saída da viatura, e o tempo de atendimento em cena, correspondente ao intervalo entre a chegada ao local e o encerramento do socorro. Utilizam-se os microdados administrativos do E-193, extraindo-se as ocorrências de emergência médica com transporte por ambulância registradas entre janeiro de 2023 e junho de 2025. Após a aplicação de filtros de simultaneidade e plausibilidade, as amostras reúnem 3.046 ocorrências para a etapa de mobilização e 3.475 para a etapa de atendimento. A estratégia empírica baseia-se no arcabouço de resultados potenciais e estima o efeito médio do tratamento sobre os tratados por meio de métodos de balanceamento combinados com modelos lineares generalizados. Os resultados mostram que o voluntariado necessário para viabilizar o despacho reduz o tempo de mobilização de forma pequena, mas estatisticamente robusta, com magnitudes que variam de aproximadamente 12 a 57 segundos, sendo as estimativas mais conservadoras concentradas em torno de 12 a 14 segundos. Esse efeito não deve ser interpretado como desprezível, pois, em atendimentos pré-hospitalares tempo-sensíveis, mesmo reduções curtas podem ser operacionalmente relevantes e, em certos contextos, potencialmente importantes do ponto de vista clínico. Já a presença de um voluntário adicional em cena reduz o tempo de atendimento em aproximadamente 3 a 7 minutos. Em conjunto, os achados indicam que o voluntariado não substitui o efetivo profissional, mas complementa a estrutura permanente ao ampliar a capacidade de resposta do sistema em situações de maior pressão de demanda.
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