Reconhecimento Facial e Militarização da Segurança Pública no Brasil
DOI:
https://doi.org/10.5007/1806-5023.2026.e109321Palavras-chave:
Reconhecimento facial, Segurança PúblicaResumo
A adoção de tecnologias de vigilância e controle, como câmeras de monitoramento interligadas a sistemas de reconhecimento facial, tem sido amplamente defendida como instrumento de modernização na segurança pública. Contudo, em um contexto marcado pela militarização das políticas de segurança, tais dispositivos tendem a ser incorporados sob a lógica da repressão e combate ao inimigo, reforçando práticas autoritárias e seletivas de gestão do espaço urbano. Neste artigo, apresentamos a hipótese de que a implementação dessas tecnologias reforça processos de militarização que privilegiam a atuação repressiva do Estado em detrimento de políticas de prevenção e promoção da cidadania. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, fundamentada em revisão de literatura e estudo de caso sobre a implementação de tecnologias de reconhecimento facial na segurança pública brasileira. A análise foi orientada pela perspectiva crítica de que o reconhecimento facial representa uma atualização do saber e das práticas militarizadas de controle social.
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