Programa Nacional de Escolas Cívico-Militares (Pecim): a “marcha” da expansão e as representações sociais no contexto carioca
DOI:
https://doi.org/10.5007/1806-5023.2026.e109587Palavras-chave:
Militarização, Representação Social, Política Pública Educacional, Rio de Janeiro, Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares (Pecim)Resumo
O presente artigo tem como objetivo cotejar as representações sociais de deputados federais, figuras vinculadas ao Ministério da Educação (MEC) e mães que lideraram a Associação de Pais, Alunos e Ex-Alunos (APAEXA) da primeira Escola Cívico-Militar do Rio de Janeiro sobre o Programa Nacional de Escolas Cívico-Militares (Pecim). Instituído no governo Bolsonaro, o Programa teve como escopo a entrada de militares da reserva das Forças Armadas na gestão escolar e disciplinar de 202 escolas públicas municipais e estaduais com maior vulnerabilidade social. O método de análise estrutural semântica (AES) foi empregado para identificar convergências e antagonismos codificados nos discursos extraídos do corpus analítico deste estudo. Os resultados sinalizam eixos representacionais atinentes à qualidade educacional, mas também suscitam justificativas para a expansão e continuidade do modelo ligadas à segurança pública e ao patriotismo/civismo.
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