A República Lusitana das Letras: um retrato das redes de comunicação dos jornais emigrados no início do século XIX

Luís Francisco Munaro

Resumo


O objetivo deste artigo é investigar as formas de idealização e construção da República das Letras entre os portugueses quando da sua dispersão a partir de 1808 e da tentativa de manter circuitos regulares de correspondência. Em outras palavras, através da publicação de grande número de jornais. Estes impressos têm lugar, sobretudo, em Londres, que sediou, entre 1808 e 1822, pelo menos oito jornais lusófonos a partir da iniciativa pioneira de Hipólito da Costa; e Paris, que sediou pelo menos três entre 1815 e 1822, sobretudo em torno do intelecto de Solano Constâncio. A partir dessa rede de intercâmbio de ideias que começava a se expandir e adquirir um caráter cosmopolita, é possível investigar também alguns dos diálogos mais amplos estabelecidos com publicações em língua inglesa e espanhola, de forma a permitir um vislumbre da dimensão dessas redes de comunicação cujas portas eram abertas pelo jornalismo. 

Palavras-chave


República das Letras; Ilustração luso-brasileira; História do Jornalismo

Texto completo:

PDF

Referências


BOYLE, L. O. “The image of the Journalist in France, Germany and England”, 1815-1848”, 1968.

CARTA de F.D.F., O Campeão, 1 de agosto de 1819, V.I.

CENDALES, Torres; JAZMÍN, Leidy. Correo del Orinoco. s/d, disponível em http://www.banrepcultural.org/blaavirtual/historia/prensa-colombiana-del-siglo-XIX/correo-del-orinoco. Acesso em Março de 2015.

COMENTÁRIO à “Breve Exposição dos progressos que fizeram as Ciências no ano de 1813”, pelo Dr. Thomas Thomson”, v. IX, Abril de 1814.

CORREIO Braziliense, V.XXIII.

DIOGO, Maria Paula; CARNEIRO, Ana; SIMÕES, Ana. “Enlightenment Science in Portugal: The Estrangeirados and their Communication Networks”. Social Studies of Science, V. 30, No. 4, 2000.

DOMINGUES, Ângela. “Para um melhor conhecimento dos domínios coloniais: a constituiçãode redes de informação no Império português em finais do Setecentos”. Revista Hist. cienc. saúde v.8 suppl.0 Rio de Janeiro 2001.

DOURADO, Mecenas. Hipólito da Costa e o Correio Braziliense. Rio de Janeiro: Bibliex, 1957.

EL ESPAÑOL Constitucional, Abril de 1819.

FERENCZI, Thomas. L’invention du journalisme en France. Naissance de la presse moderne à la fin du XIX siècle. Paris: Plon, 1993.

GAZETA de Lisboa, 31 de julho de 1815.

HABERMAS, Jurgen. Mudança estrutural da esfera pública: investigações quanto a uma categoria de sociedade burguesa. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2003.

JACOB, Margareth. The Radical Enlightenment. Pantheists, freemasons and Republicans. Lafayette: Cornerstone, 2006.

MCNELLY, Ian; WOLVERTON, Lisa. Reinventing Knowledge. From Alexandria to the Internet. New York: W.W. Norton, 2008.

MEMÓRIAS de D. Antonio Alcalá Galiano.

MUNARO, L. F. “A taverna City of London e o jornalismo luso-brasileiro (1808-1822)”. Jornal Alcar, v. 2, 2013.

MUNARO, L. F. O sol da liberdade pura aqui reluz contínuo : A construção da imprensa lusófona na Inglaterra (1808-1822). Idéias - Revista do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UNICAMP, v. v.1, 2014.

Nova de Lisboa, 2007.

O Espelho, maio de 1813, n. 1.

O Portuguez, V.I, 1814.

Padre Amaro, Setembro de 1821.

RAYNAL, Abade. A Revolução na América, Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 1993.

REIS, Fernando Egídio. Os Periódicos portugueses de emigração (1808-1822). As ciências e a transformação do país. Tese de doutorado apresentada à Universidade Nova de Lisboa, 2007.

RODRIGUES, Thamara. A independência do Brasil e o discurso do atraso português em História do Brasil de Francisco Solano Constâncio. IN: OLIVEIRA, Camila Aparecida Braga, MOLLO, Helena Miranda e BUARQUE, Virgínia Albuquerque de Castro (orgs). Caderno de resumos & Anais do 5º. Seminário Nacional de História da Historiografia: biografia &história intelectual. Ouro Preto: EdUFOP, 2011.

ROMERO, Ricardo et al. Ediciones Masónicas Argentina. Una investigación del Centro de Estudios para la Gran Reunión Americana. Disponível em http://logra452.blogspot.com/2010/02/los-precursores-de-la-revolucion.html .Consulta em Março de 2015.

SOUSA, Maria Leonor. Um ano de diplomacia luso-americana. Francisco Solano Constâncio (1822-1823), 1988.

VARGUES, Isabel. “O processo de formação do primeiro movimento liberal: a Revolução de 1820”. In: Luís Roque Torgal & João Lourenço Roque(coord.). O Liberalismo(1807-1890). Lisboa: Editorial Estampa, s.d (Coleção História de Portugal, vol.5).

VELOSO, Lúcia Maria; SOUSA, J.M.M. História da imprensa periódica portuguesa: subsídios para uma bibliografia, 1987.




DOI: https://doi.org/10.5007/2175-7976.2018v25n39p173

Direitos autorais 2019 Luís Francisco Munaro

Esboços: histórias em contextos globais - ISSN da versão impressa 1414-722x (cessou em 2008) e ISSN eletrônico 2175-7976 - Florianópolis - SC - Brasil