O global e seus paradoxos: a construção imaginada de um campo historiográfico

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-7976.2019.e66255

Palavras-chave:

Historiogragia, História Global, Comunidade Imaginada, Globalização

Resumo

Este texto é um comentário sobre o artigo de Jurandir Malerba que se publica no mesmo número de Esboços: histórias em contextos globais, em que o autor discute os paradoxos da proposição de uma história global da historiografia. Tomando como ponto de partida o conceito formulado por Benedict Anderson, de “comunidade imaginada", este artigo reflete sobre as possibilidades e os limites de imaginar a história global e a experiência coletiva da comunidade de historiadores que começa a pensar a si mesma com base nessa categoria. Dialogando com Malerba, Anderson, Jeremy Adelman, Eric Auerbach, Partha Chaterjee e outros, o ponto de chegada do texto pergunta quem está autorizado a “imaginar” a história global e, desse modo, a controlar sua narrativa. A conclusão é que a resposta a essa pergunta é inseparável da matriz de desigualdades e assimetrias que se reproduz no momento atual de produção de um mundo globalizado.

Biografia do Autor

Henrique Espada Lima, Universidade Federal de Santa Catarina

Doutor em História (UNICAMP, 1999), professor de História Contemporânea no Departamento de História da UFSC.

Referências

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Publicado

2019-10-11

Edição

Seção

Debate "História da historiografia em perspectiva global"