Usos do passado sensível no ambiente digital: o “Brasil: Nunca Mais Digital” e o projeto “eva.stories”

Autores

  • Miguel Barboza Castro Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Departamento de História, Porto Alegre, RS, Brasil https://orcid.org/0000-0002-2865-6795

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-7976.2020.e68390

Palavras-chave:

História digital, Usos do passado, Internet

Resumo

O presente artigo refletirá sobre usos do passado sensível no ambiente digital. Para tanto, serão utilizados como objetos de análise duas iniciativas: o “Brasil: Nunca Mais Digital” e o “eva.stories”. A primeira iniciativa diz respeito ao projeto lançado em 2013, que insere o acervo do “Brasil: Nunca Mais” na era digital, tornando seus arquivos acessíveis a qualquer pessoa em qualquer parte do mundo – antes disponíveis apenas em acervos físicos, impressos ou microfilmados. A segunda é o projeto “eva.stories”, criado em 2019, que parte da seguinte premissa: “E se uma menina, durante o Holocausto, tivesse Instagram?” A iniciativa se utiliza do Instagram (principalmente do formato “stories”) para desenvolver setenta episódios retratando eventos ocorridos com Eva Heyman – adolescente de 13 anos enviada ao campo de concentração em Auschwitz-Birkenau, em 1944. O objetivo do artigo visa por em perspectiva essas iniciativas (inseridas em seus respectivos contextos históricos, técnicos, metodológicos etc.), a fim de pensar seus usos e refletir sobre efeitos da instrumentalização do passado em ambiente digital (e no escopo da histórica pública). A ideia é pensar o papel da internet enquanto catalisadora de formas de disseminar, resistir e pensar sobre a memória e eventos traumáticos, além de compreender sua interação com diferentes audiências.

Biografia do Autor

Miguel Barboza Castro, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Departamento de História, Porto Alegre, RS, Brasil

Graduado em História licenciatura pela Universidade Federal do Rio Grande (FURG) e Mestrando em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

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Publicado

2020-06-19

Edição

Seção

Dossiê "História global e digital: novos horizontes para a investigação histórica"