O futuro das utopias e das distopias em tempos presentistas
DOI:
https://doi.org/10.5007/2175-7976.2020.e73090Resumo
Neste texto procuro responder a algumas inquietações suscitadas pelo artigo de Patrícia Vieira sobre o lugar das utopias e das distopias no mundo contemporâneo. Sublinho a necessidade de se pensar estas categorias históricas a partir dos problemas da consciência histórica e da temporalidade na perspectiva de Reinhart Koselleck a fim de localizar conteúdos e sentidos emanados a partir daquelas representações temporais. Com Hayden White sugiro a utilidade de se avaliar os vínculos entre a imaginação histórica e a criação textual, a fim de conectar o sentido dos textos e as expectativas sociais. Por fim, mobilizo o conceito de presentismo e a ideia de fechamento do futuro para tentar compreender essa experiência temporal particular deste início do milênio com a expansão das distopias e a permanência de antigas e novas utopias.
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