O papel dos afetos na vida humana

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/1677-2954.2021.e80042

Palavras-chave:

Afetos, Razão, Moral, Psicopatia, Normas morais

Resumo

O objetivo deste artigo é o de apresentar algumas posições filosóficas, que dialogam com diferentes áreas do conhecimento, e que nos auxiliam a dar um passo a mais na compreensão da relação entre razão e emoção. Em primeiro lugar, apresentamos a ideia dos marcadores somáticos, de Damasio, que elucida o papel dos afetos no desenvolvimento do pensamento racional. Em segundo lugar, observamos que indivíduos psicopatas apresentam uma capacidade reduzida em diferentes esferas da vida, com evidente diminuição na capacidade de ligar sentimentos negativos a normas morais, o que leva a um comportamento moral inadequado e interfere na capacidade deliberativa. Por fim, apresentamos a teoria de Shaun Nichols acerca da Affective Resonance: normas que possuem respaldo afetivo (principalmente negativo) possuem vantagens de transmissão cultural, em detrimento de normas afetivamente neutras. Estes estudos comprovam a importância dos afetos para o pensamento racional e para a manutenção e propagação de normas e regras morais. A ideia principal aqui defendida é a de que há uma estreita relação entre razão e emoção. Ao elucidar esta relação, podemos aprofundar os estudos sobre a condição humana, em especial a razão e a moral.

Biografia do Autor

Viviane Zarembski Braga, Professora Substituta do Instituto Federal do Tocantins (IFTO), Campus Palmas, Palmas, Tocantins (TO)

Doutora em Filosofia pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS). Professora Substituta do Instituto Federal do Tocantins (IFTO), Campus Palmas, Palmas, Tocantins (TO). Atua na área de Ética, Filosofia da Linguagem e Racionalidade. E-mail: vivianezbraga@gmail.com.

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Publicado

2021-04-30