Incubação de empreendimentos populares: apropriando metodologias de intervenção às contingências dos processos
DOI:
https://doi.org/10.5007/1807-0221.2012v9n13p76Abstract
As Incubadoras Tecnológicas de Cooperativas populares (ITCP) vem se configurando como importante experiência de combate a pobreza e ao desemprego por meio das ações das universidades. Na maior parte destas experiências de incubação nota-se que a metodologia adotada no trabalho com grupos populares acontece de forma seqüencial, basicamente em três etapas, pré-incubação, incubação e desincubação. Este artigo aborda uma experiência de incubação realizada pela ITCP/UFV junto a um projeto de assentamento de reforma agrária em Minas Gerais, e tem o objetivo de descrever e analisar o processo de intervenção e as implicações da inversão da metodologia para o processo de incubação. A incubação neste caso realizou-se de maneira inversa, iniciando os trabalhos pela formalização, que normalmente se dá na ultima etapa. A metodologia adotado neste processo diz respeito à utilização de demonstração técnicas, oficinas e dinâmicas de grupos para capacitação dos assentados em questões jurídico-administrativas. Como resultado deste processo inverso de incubação tem-se inicialmente a constituição de uma associação (ARCA/ZM) no assentamento “Olga Benário”, e conseqüentemente a construção, pelos assentados, de uma estrutura organizacional adequada a realidade de organização do assentamento. Dessa forma a constituição da associação, forjada pela necessidade local de acesso a políticas públicas, desvia-se das etapas metodológicas comumente aplicadas, mas apresenta-se como estratégia positiva para viabilização do empreendimento, diante das contingências apresentadas nos processos de desenvolvimento.
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