Novas evidências em favor de um morfema avaliativo – [EVAL]: formas nominais truncadas e blends em português brasileiro

Ana Paula Scher, César Elídio Marangoni Junior

Resumo


A partir da análise para formas nominais truncadas e para blends em português brasileiro sugeridas em Scher (2011, 2013, 2016, 2018) e Marangoni Junior (2020), respectivamente, que se valem da presença de um morfema avaliativo [EVAL] na estrutura sintática, discute-se a relevância desse morfema como um traço pertinente ao repositório de traços morfossintáticos universais, considerando-se, principalmente, as observações sobre o estatuto de morfemas avaliativos em duas propostas distintas, nomeadamente, Villalva (2000) e Prieto (2005). As análises descritas no texto, baseadas em uma abordagem sintática dos processos de formação de palavras, evidenciam a configuração do morfema avaliativo em posição de adjunção. Além disso, a presença desse morfema codifica instruções específicas para as interfaces de PF e LF.


Palavras-chave


Morfema avaliativo; Formas nominais truncadas; Blends; Morfologia distribuída; Otimalidade distribuída

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DOI: https://doi.org/10.5007/1984-8412.2020v17nespp4636

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