Entre o potencial e os desafios: percepção pública sobre as tecnologias digitais, com ênfase em inteligência artificial, na gestão urbana de Florianópolis, estado de Santa Catarina

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/2177-5230.2026.e105589

Palavras-chave:

Tecnologias Digitais e Inteligência Artificial, Gestão Urbana, Florianópolis, Participação Cidadã, Inclusão e Educação Digital

Resumo

Esta pesquisa investigou a percepção da população de Florianópolis sobre o uso da Inteligência Artificial (IA) na gestão urbana, suas implicações éticas e os desafios da inclusão digital. Com metodologia mista, questionários foram aplicados via entrevistas por meio de uma amostra representativa. Os resultados indicaram otimismo moderado quanto ao potencial da IA, com ênfase na necessidade de investir em educação digital, infraestrutura e segurança de dados. A inclusão digital equitativa foi priorizada pela população, havendo preocupação com a ética, exclusão e apoio à regulamentação da IA. Conclui-se que Florianópolis tem potencial para inovação com IA, desde que sua implementação seja inclusiva e transparente e que atenda às necessidades dos diferentes grupos sociais.

Biografia do Autor

Carlos Alberto Barbosa de Souza, Universidade do Vale do Itajaí - Univali

Possui doutorado (2025) e mestrado (2010) em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Santa Catarina, além de graduações em Arquitetura e Urbanismo (UFSC, 1991) e Engenharia Mecânica (UFPR, 1982). É o atual Presidente do CAU/SC (gestão 2024-2026) e avaliador de cursos do INEP/MEC. Acumula experiência docente e de gestão acadêmica na Univali, onde coordenou cursos de graduação e pós-graduação lato sensu nas áreas de Design de Interiores e Mercado de Luxo. Atua profissionalmente como consultor e projetista, com ênfase em arquitetura para hotelaria, lazer e projetos institucionais. Foi conselheiro titular do CREA/SC e do CAU/SC em múltiplas gestões.  

Janaína Nones

Possui doutorado (2016) e mestrado (2012) pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com graduação plena em Química (2010). Realizou estágio pós-doutoral (CNPq) no LABMAC/UFSC. Com mais de 10 anos de experiência na docência do ensino superior, possui sólida atuação no ensino de disciplinas fundamentais, incluindo Cálculo e Estatística. Sua trajetória em pesquisa abrange o desenvolvimento de novos materiais, metodologias analíticas, com foco em toxicidade celular e micotoxinas. Tem experiência na área de estatística, análise de dados, coordenação de atividades pedagógicas e de apoio acadêmico via REUNI/CAPES.

Adriana Marques Rosseto

Possui mestrado em Engenharia Civil (1998) e doutorado em Engenharia de Produção com foco em Gestão Ambiental (2003) pela UFSC, além de pós-doutorado pela Université Grenoble-Alpes (2017). É professora adjunta e subcoordenadora do PósArq/UFSC, atuando também no Mestrado Profissional em Desastres Naturais e na especialização em ATHIS. Desenvolve pesquisas em Planejamento Urbano e Regional, com ênfase em sustentabilidade, políticas públicas e tecnologias de informação aplicadas a territórios de vulnerabilidade. Atua como consultora nos comitês de Ciências Ambientais e Interdisciplinar da CAPES. É vice-líder do grupo de pesquisa Urbanidades e vice-coordenadora da Rede Iberoamericana REDETEG. Acumula experiência como consultora ad hoc de órgãos de fomento e integra diversos conselhos editoriais científicos.

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2026-05-05

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Artigos