Temporalidade, ética e contingência na pós-colônia africana: esperando por Deus em Gana

Bruno Reinhardt

Resumo


O presente artigo investiga o emaranhamento entre as temporalidades pentecostal e pós-colonial em Gana através de uma viagem etnográfica a um retiro de oração. Atwea é uma montanha de esperança, onde  peregrinos de todo o país “esperam por Deus” através de jejuns e orações. Argumento que, diferente de mero reflexo ou reação a um contexto de crise, a prática de “esperar por Deus” (twen awrade ou wait on/for God) deve ser entendida como uma modalidade de navegação ética por tempos inerentemente contingentes. Ela oscila e tenta orquestrar múltiplos cronótopos, tempos-espaços narrativos e economias de agência centrados na salvação, nos milagres e na oposição demoníaca. Esperar por Deus aparece assim como uma tecnologia  do sujeito que permite aos pentecostais de Gana engajar com a contingência pós-colonial tanto como um contexto de emergência e fechamento temporal quanto como um ambiente grávido de futuros emergentes.


Palavras-chave


Pentecostalismo; Pós-colonialidade; África; Ética; Temporalidade

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DOI: https://doi.org/10.5007/2175-8034.2017v19n2p175

Ilha R. Antr., Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC,  Florianópolis, SC, Brasil, ISSNe 2175-8034