Nos Rastros do Diabo: limites etnográficos na obra de Michael Taussig
DOI:
https://doi.org/10.5007/2175-8034.2026.e111153Palabras clave:
Pactos com o Diabo, Fetichismo da mercadoria, Acumulação originária, Teoria e etnografia, Escrita antropológicaResumen
O artigo revisita criticamente a obra de Michael Taussig sobre pactos com o Diabo na América do Sul, examinando seus limites teóricos e etnográficos à luz da comparação com pesquisas realizadas no norte de Minas Gerais, Brasil. Partindo da articulação entre fetichismo da mercadoria e expansão do trabalho assalariado, analisa-se como Taussig constrói a relação entre dinheiro e Diabo como crítica ao capitalismo. Em contraste, o pacto com o Diabo no norte de Minas mobiliza a categoria de acumulação originária para pensar transformações locais sem dissolver o material de campo na abstração teórica. Reconhecendo a importância de sua obra, argumenta- se, contudo, que a potência interpretativa de Taussig se sustenta sobre um conjunto de relatos mediados, no qual a distinção entre dado, teoria e escrita se torna instável. A comparação proposta permite refletir sobre diferentes modos de articular teoria e etnografia, colocando em questão o estatuto do dado e os regimes de verdade que sustentam a escrita antropológica.
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