Mulheres jornalistas sob ataques: violências de gênero e riscos na cobertura política brasileira durante o Governo Bolsonaro
DOI:
https://doi.org/10.5007/1984-6924.2024.101418Palavras-chave:
Jornalismo, Gênero, Violência, Política, Cultura profissionalResumo
Este trabalho dedica-se a analisar casos de violência contra mulheres jornalistas na editoria de política durante o governo do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL), valorizando testemunhos de experiências profissionais. Segundo dados do Relatório da Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil, em 2022, o então presidente foi responsável por 147 de 430 casos de violência contra jornalistas, ou seja, 34,19% das agressões. Sendo assim, o objetivo geral é analisar impactos profissionais e pessoais nas vidas das jornalistas mulheres que sofreram ataques em decorrência da cobertura jornalística. Em uma perspectiva qualitativa, foram realizadas entrevistas semi estruturadas com quatro jornalistas. A análise foi baseada em três eixos: perfil, violência e consequências da violência. Além disso, foi utilizada a metodologia bibliográfica para construir um diálogo entre as entrevistas e textos ligados ao jornalismo, gênero e violência. Registra-se, a partir das entrevistas, que as violências contra as mulheres jornalistas estão atreladas a questões generificadas e misóginas.
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