O noticiário econômico e as políticas públicas de cunho social: sem diálogo
DOI:
https://doi.org/10.5007/1984-6924.2010v7n2p249Resumo
A imprensa é uma instituição legitimada socialmente por defender a pluralidade de visões que marca os ambientes democráticos. É a partir do conhecimento das diversas linhas reflexivas que cada cidadão constrói a visão de mundo que lhe permitirá exercer seus mais básicos direitos de cidadão, entre os quais escolher as lideranças que, espera-se, conduzirão o país rumo ao desenvolvimento sustentado e abrangente. Portanto, as políticas públicas deveriam estar no centro da atenção dos jornalistas. No entanto, o noticiário econômico, núcleo temático da maior importância para todos os cidadãos, praticamente furta-se do papel de discutir políticas públicas do ponto de vista do impacto que têm na vida das pessoas. Pelo menos é o que aponta o acompanhamento sistemático do noticiário. A partir dos resultados de um levantamento quantitativo dos cadernos de economia de dois grandes jornais de conteúdo geral brasileiros, é possível verificar as raízes que levaram o setor público a ser noticiado exclusivamente a partir da ótica do ajuste fiscal para fins de geração de superávit primário. No noticiário econômico, o impacto dos investimentos em obras públicas é escamoteado pelo discurso de que a eficiência do Estado é medida não pelo que executa, mas pelo montante de gastos que deixa de executar. É uma abordagem que privilegia temas de interesse de um determinado grupo bastante organizado comunicacionalmente em detrimento de ministérios e instituições de mobilização social.
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