Imprensa feminista e a cobertura das eleições de 2018 no Brasil

Caroline Kraus Luvizotto, Heloisa Souza dos Santos

Resumo


A internet amplia o acesso à informação e facilita a produção de conteúdo pelos atores sociais. Dentre os inúmeros movimentos sociais que fazem uso das tecnologias digitais, destacamos a atuação do movimento feminista contemporâneo e a constituição/revitalização de uma imprensa feminista engajada no campo político, em prol da manutenção da democracia brasileira. O presente artigo investiga as práticas da imprensa feminista durante o período eleitoral no Brasil, nos meses de setembro e outubro de 2018. Buscamos verificar se as práticas jornalísticas refletem princípios da ética feminista brasileira. A partir da Análise de Conteúdo, foram estudadas matérias publicadas pela Revista AzMina, pela Gênero e Número e pelo Portal Catarinas, considerando o contexto eleitoral e a importância do jornalismo para a cidadania. Os resultados indicam que as práticas refletem princípios feministas com uma cobertura que mescla informações generalistas sobre a eleição e outras mais específicas, focadas em candidatas mulheres.


Palavras-chave


Jornalismo Feminista; Eleições; Ética Feminista

Texto completo:

PDF/A

Referências


BARDIN, L. Análise de Conteúdo. Traduzido por Luís Antero Reto e Augusto Pinheiro. Lisboa, Portugal: Edições 70, 4a ed, 2009.

BARREIRA, Gabriel; SATRIANO, Nicolás. 'Efeito Marielle': candidatas ligadas à ex-vereadora são eleitas deputadas. G1, editoria Rio de Janeiro, site, 08 out. 2018. Disponível em: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/eleicoes/2018/noticia/2018/10/08/efeito-marielle-candidatas-ligadas-a-ex-vereadora-sao-eleitas-deputadas.ghtml.Acesso em 19 mar. 2019.

BECKER, Fernanda. Grupo “Mulheres contra Bolsonaro” no Facebook sofre ataque cibernético. El País, editoria eleições 2018. Site, 16 set. 2018. Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/09/14/politica/1536941007_569454.html. Acesso em 19 mar. 2019.

BELLERIVE, K; YELLE, F. Contributions des féminismes aux études en communication médiatique. In: AUBIN, F; RUEFF, J. (orgs) Perspectives critiques en communication. [s.l.]: Presses de l'Université du Québec, 2016. p. 279-319.

BYERLY, C. M.; ROSS, K. Women & Media: a critical introduction. Oxford: Blackwell, 2006.

CARDOSO, Elizabeth da P. Imprensa feminista brasileira pós-1974. 2004. 132 f. Dissertação (Mestrado em Ciências da Comunicação) - Universidade de São Paulo, São Paulo. 2004.

CERVULLE, Maxime. Genre et Communication: des approches critiques en tension. In: AUBIN, F; RUEFF, J. (orgs) Perspectives critiques en communication. [s.l.]: Presses de l'Université du Québec, 2016. p. 306-319.

DOWNING, John. Entrevista com John Downing [abril, 2009]. Patrícia Wittenberg Cavalli. Revista FAMECOS, n. 38, 2009.

FEDERAÇÃO NACIONAL DOS JORNALISTAS. Código de ética dos jornalistas brasileiros. Vitória, ago 2007. Disponível em: http://fenaj.org.br/wp-content/uploads/2014/06/04-codigo_de_etica_dos_jornalistas_brasileiros.pdf. Acesso em 04 set 2018.

FRASER, Nancy. To Interpret the World and to Change It: An Interview with Nancy Fraser. [Nancy A. Naples, 2004]. Signs, v. 29, n. 4, p. 1103-1124, 2004. Disponível em: http://www.jstor.org/stable/10.1086/382631. Acesso em: 31 jan. 2019.

G1. Protestos contra Bolsonaro ocorrem em 26 estados e DF; atos a favor, em 16. Site: G1, 29 set. 2018. Disponível em: https://g1.globo.com/politica/noticia/2018/09/29/manifestantes-fazem-atos-a-tarde-contra-e-favor-de-bolsonaro.ghtml. Acesso em 26 fev. 2019.

GOHN, M. da G. Teorias dos Movimentos Sociais: paradigmas clássicos e contemporâneos. São Paulo: Edições Loyola, 2010.

HARDING, Sandra. The feminist standpoint theory reader: intellectual and political controversies. New York: Routledge, 2004.

HARP, Dustin. News, Feminist Theories, and the Gender Divide. In: POINDEXTER, P. M. (orgs). Women, men and news: divided and disconnected in the news media landscape. Routledge: New York, 2008.

INTERNATIONAL WOMEN'S MEDIA FOUNDATION. Global Report on the Status of Women in the News Media. Principal investigator: Carolyn M. Byerly. 2011.

MACHADO, José Alberto S. Ativismo em rede e conexões identitárias: novas perspectivas para os movimentos sociais. Sociologias, Porto Alegre, ano 9, nº 8, jul./dez., p. 248-285, 2007.

INTERVOZES. Caminhos para a luta pelo direito à comunicação no Brasil - Como combater as ilegalidades no rádio e na tv. São Paulo: Fundação Ford, 2015.

LABIC, Lovers com mais força que haters nas eleições presidenciais de 2018. Site, 08 ago. 2018. Disponível em: http://www.labic.net/cartografia-das-controversias/cartografias-2/nova-metodologia-eleicoes-2018/. Acesso em 26 fev. 2019.

LEITE, R. S. C. Brasil Mulher e Nós Mulheres: origens da imprensa feminista brasileira. Estudos Feministas, Florianópolis, n. 11, v. 1, p. 234-241, jan-jun. 2003.

LIMA, Venício Artur de. Regulação das comunicações: história, poder e direitos. São Paulo: Paulus, 2011.

LUVIZOTTO, Caroline Kraus; et. al. Estudo das abordagens sobre o “Massacre do Centro Cívico” nas revistas Carta Capital e Revista Fórum. Brazilian Journalism Research (Online), v.14, p.618 - 637, 2018.

LUVIZOTTO, Caroline Kraus. Luta árdua, penosa e duradoura. In: GERALDES, Elen Cristina; REIS, Ruth de Cássia dos; SOUSA, Janara Kalline Leal Lopes de; NEGRINI, Vanessa. (orgs.). Um grito no ar - Comunicação e Criminalização dos Movimentos Sociais. 1 ed.Brasília: Fac-UnB, v. 1, p. 59-64, 2017.

MIRANDA, Cynthia Mara. Mobilização das mulheres em enunciados de jornais brasileiros (1979-1988). Porto Alegre: Editora Fi, 2016. 88pp.

MONTIEL, Aimée Vega. Ética feminista e comunicação. Comunicação & Informação, v. 14, n. 2, p. 3-18, jul./dez. 2011.

MONTIEL, Aimée Vega. Claves para una reforma electoral democrática: La comunicación política en México. ¿espacio de visibilidad o invisibilidad de las mujeres?. Revista Mexicana de Ciencias Políticas y Sociales, p. 71-80. 2008.

NEVEU, Erik. Le genre du journalisme. Des ambivalences de la féminisation d'une profession. Politix, vol. 13, n°51, pp. 179-212. 2000.

PENA, Felipe. Teoria do Jornalismo. 2ª edição. São Paulo: Contexto, 2006.

PINTO, M.; et. al. Desinformação em eleições: desequilíbrios acelerados pelas tecnologias. São Paulo. 2018. Recuperado de: https://tecnologiaequidade.org.br/projetos/desinformacao-em-eleicoes/.

PORTAL CATARINAS. Nossa história. Site, [s.d.]. Disponível em: http://catarinas.info/nossa-historia/. Acesso em 19 mar. 2019.

ROSSI, Amanda; CARNEIRO, Julia Dias; GRAGNANI, Juliana. #EleNão: A manifestação histórica liderada por mulheres no Brasil vista por quatro ângulos. BBC, Portal de notícias:20 set. 2018. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-45700013. Acesso em 26 fev. 2019.

SAINT-JEAN, Armande. L’apport des femmes au renouvellement des pratiques professionnelles: le cas des journalistes. Recherches féministes, v. 13, n. 2, p.77-93, 2000.

SARDENBERG, C. M. B. Da crítica feminista à ciência a uma ciência feminista? In: COSTA, A. A. A.; SARDENBERG, C. M. B. (Orgs.). Feminismo, ciência e tecnologia. Salvador: REDOR/Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher - UFBA, 2002, p. 89-120.

SCHERER-WARREN, Ilse. Dos movimentos sociais às manifestações de rua: o ativismo brasileiro no século XXI. Política & Sociedade, v. 13, n. 28, pp. 13-34. 2014.

STEINER, Linda. Feminist media theory. In: FORTNER, R. S.; FACKLER, M. (Eds.). The handbook of media and mass communication theory. Chichester: Wiley-Blackwell, 2014, p. 359-379.

TRAQUINA, Nelson. Teorias do Jornalismo: A tribo jornalística - uma comunidade interpretativa transnacional. 2ª edição. Florianópolis: Editora Insular, 2008.




DOI: https://doi.org/10.5007/1984-6924.2019v16n2p74

(Est-s Jorn. Mid.), Florianópolis, Santa Catarina, Brasil. ISSNe 1984-6924.

Licença Creative Commons