Testemunhos sobre transgeneridade e a constituição de novas subjetivações em Quem Sou Eu?

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/1984-6924.2021.74722

Palavras-chave:

Telejornalismo, Transgeneridade, subjetivação

Resumo

É da natureza do jornalismo o uso de testemunhos na construção de reportagens. Esse caráter testemunhal vem da observação do profissional, dos depoimentos das fontes e do consumidor da notícia. Com o avanço dos movimentos sociais LGBT- QIAP+ e a necessidade de as marcas investirem em responsabilidade social, algumas iniciativas do jornalismo televisivo mudaram o tratamento dado à transgene- ridade. Em 2017, a Rede Globo lançou, no Fantástico, a série Quem Sou Eu?, que conta histórias de pessoas transgêneras em fases distintas, ressaltando a diferença entre identidade de gênero e orientação sexual. O objetivo deste artigo é compreender como os testemunhos nas reportagens contribuem para novas subjetivações sobre a temática. Para isso, além de levantamento bibliográfico sobre jornalismo, testemunho, gênero e sexualidade, foram analisadas as quatro reportagens e também o site criado pela emissora para o especial. Por fim, constata-se que a série amplia as compreensões sobre transgeneridade, embora esteja ainda circunscrita a um entendimento de gênero como masculino e feminino.

 

Biografia do Autor

Diego Gouveia Moreira, Universidade Federal de Pernambuco

Professor do Núcleo de Design e Comunicação do Centro Acadêmico do Agreste da Universidade Federal de Pernambuco.

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Publicado

2021-07-05