“Porque todo ponto de vista é a vista de um ponto”: a subjetividade como um dos lugares para compreender o jornalismo

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/1984-6924.2021.76324

Palavras-chave:

Gêneros/Masculinidades, Jornalistas, Subjetividade

Resumo

O presente texto propõe uma reflexão a partir de uma investigação já concluída que teve como objetivo central perceber quais sentidos sobre masculinidades eram então movimentados e constituídos pelas/nas revistas Junior e Men’s Health Portugal, tendo em vista o discurso de seus agentes e, ainda, o produto final veiculado. Aqui, de modo específico, na esteira de outras pesquisas que postulam a subjetividade como elemento importante para perceber a prática jornalística e, ainda, tomando como base a Teoria da Subjetividade, reflete-se sobre como aspectos subjetivos em relação aos informantes são centrais para que se compreenda os discursos então materializados naquelas produções. Para além de questões de ordem objetiva, sugere-se que seriam fundamentalmente a percepção de mundo daqueles sujeitos, suas lentes então lançadas sobre esse mundo e, ainda, os espaços sociais que os cercam que permitiriam que dados sentidos, e não outros, sobre gênero, sexualidade e raça se estabelecessem em  Junior e em Men’s Health Portugal.

Biografia do Autor

Felipe Viero Kolinski Machado Mendonça, UFOP

É professor adjunto do Departamento de Jorna- lismo da Universidade Federal de Ouro Preto e docente permanente do Programa de Pós-Gradu- ação em Comunicação da Universidade Federal de Ouro Preto.

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Publicado

2021-07-05