Autoria, assinatura coletiva e jogo na narrativa jornalística: um diálogo com o documentário Voyeur

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/1984-6924.2021.77159

Palavras-chave:

Narrativa Jornalística, Autoria, Jogo do texto

Resumo

O artigo se propõe a discutir a autoria na narrativa jornalística, como perspectiva de abertura dos seus horizontes à compreensão e à experiência na mediação social. Com base nas noções de texto como jogo, de Wolfgang Iser, de “função autor”, em Michel Foucault, e de assinatura coletiva, em Cremilda Medina, propõe um diálogo com o documentário Voyeur – que aborda as polêmicas envolvidas na produção e publicação do livro-reportagem O Voyeur, de Gay Talese, que narra a as aventuras do norte-americano Gerald Foos, um ex-dono de motel que, durante décadas, espiou a intimidade de seus hóspedes e foi alvo de várias polêmicas envolvendo não apenas a veracidade do que foi narrado, mas a relação entre jornalista e fonte – com o objetivo de ensejar uma reflexão sobre questões como: a quem pertence a história que se narra? Quem a conta? Quem é seu autor, quando os horizontes autorais, hermenêuticos e, de modo mais amplo, simbólicos têm seus alicerces em questão?

Biografia do Autor

Cicélia Pincer Batista, Escola Superior de Propaganda e Marketing de São Paulo

Professora do curso de Jornalismo da Escola Superior de Propaganda e Marketing de São Paulo (ESPM/SP). Doutora em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/ USP). Integrante dos grupos de pesquisa Epistemologia do Diálogo Social (ECA-USP) e Tecnologias, Processos e Narrativas Midiáticas (ESPM-SP).

Gean Oliveira Gonçalves, Universidade de São Paulo

Professor do curso de Jornalismo do Centro Universitário FIAM FAAM. Doutorando em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). Bolsista CNPq. Integrante do grupo de pesquisa Epistemologia do Diálogo Social (ECA-USP).

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Publicado

2021-07-05