Orientação sexual e tabagismo no Brasil: mediações sociais a partir da PNS 2019
DOI:
https://doi.org/10.1590/1982-0259.2025.e103722Palavras-chave:
orientação sexual, tabagismo, Brasil, probitResumo
O tabagismo representa elevado risco ao estado de saúde individual, apresentando maior prevalência em alguns grupos, como é o caso das minorias LGBTQIAPN+. Dessa forma, o presente estudo tem como objetivo analisar a relação entre orientação sexual e o consumo de produtos do tabaco, a partir dos dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019 e por meio da estimação de modelos econométricos Probit. Adicionalmente, consideraram-se as interações entre indivíduos homossexuais e bissexuais por nível de instrução e gênero, e sua associação com o tabagismo. Os resultados apontaram que gays e bissexuais possuem maior probabilidade de fumar produtos do tabaco em comparação aos heterossexuais, sendo tal relação ampliada no caso de indivíduos do sexo masculino e com menor nível de instrução. Esses achados podem ser explicados pela marginalização dessas minorias, baseada na homofobia enraizada na sociedade, e pelos consequentes distúrbios mentais acarretados, além dos menores cuidados com a saúde.
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