Capitalismo dependente e questão racial no Brasil: do escravismo à superexploração
DOI:
https://doi.org/10.1590/1982-0259.2025.e106969Palavras-chave:
capitalismo dependente, racismo, superexploraçãoResumo
Este artigo analisa como a constituição da força de trabalho no Brasil, desde o escravismo, favoreceu a imposição de mecanismos de rebaixamento do valor da força de trabalho, articulando racismo e dependência como traços estruturantes do capitalismo brasileiro. Adota-se como metodologia a revisão bibliográfica, sob a bússola do materialismo dialético, a fim de apreender as determinações históricas que configuram a particularidade da formação social brasileira. Argumenta-se que a transição do escravismo ao capitalismo dependente não integrou plenamente os ex-escravizados ao mercado de trabalho, mas produziu um amplo exército industrial de reserva, que viabilizou a superexploração da força de trabalho. Os resultados indicam que a redução do custo de reprodução social dos trabalhadores, historicamente reforçada pelo racismo estrutural, constitui uma vantagem comparativa das economias dependentes frente à concorrência no mercado mundial.
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