Antígona contra o Estado: leis, gênero e resistência
DOI:
https://doi.org/10.1590/1982-0259.2025.e108984Palavras-chave:
Antígona, Estado, gênero, direito natural, filosofia políticaResumo
O presente artigo tem como objetivo discutir, à luz da obra O clamor de Antígona: parentesco entre a vida e a morte, de Judith Butler, as múltiplas possibilidades de leitura da tragédia Antígona e, particularmente, a representação da personagem como figura que desafia o Estado e suas leis, personificadas em Creonte, ao mesmo tempo que reivindica direitos essenciais — os quais, embora fundamentais, não são garantidos. A análise proposta também busca situar a discussão em uma perspectiva de gênero, exemplificando, na contemporaneidade, a figura de Maria da Penha Maia Fernandes — que dá nome à Lei Maria da Penha —, a qual estabelece mecanismos para o combate à violência doméstica e familiar contra a mulher. A comparação entre os posicionamentos políticos de Antígona e de Maria da Penha os situa em contextos distintos, mas revela um ponto comum: a resistência. Essa aproximação é explorada na tentativa de evidenciar as semelhanças entre a tragédia grega e as lutas político-sociais atuais. A análise teórico-política será desenvolvida no âmbito da filosofia política.
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