Trabalho, democracia, lutas de classes

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DOI:

https://doi.org/10.1590/1982-0259.2025.e109488pt

Palavras-chave:

Trabalho, democracia, luta de classe

Resumo

Aviltados e desacreditados como nunca se viu, trabalho, democracia e luta de classes vêm sofrendo um intenso processo de erosão. Os trabalhos destinados à maioria da população tornaram-se cada vez mais precarizados, intermitentes e desprotegidos; a democracia, reduzida a falsa retórica e rituais vazios, perdeu credibilidade; a luta de classes foi se dissipando do horizonte de trabalhadores dispersos e atomizados. Contudo, interligadas e complementares, essas atividades são vértebras constitutivas da vida humana e social. De modo que, ao penalizar e desestruturar o trabalho, comprometem-se a ação política e o exercício da democracia. Parece que a exibição acintosa da força e da destruição acaba tendo um efeito hipnótico e paralisante sobre as massas. Por isso, sem se importar com a perda de hegemonia, os senhores da “ordem” vigente incrementam a supremacia econômica, tecnológica e militar, recorrendo cada vez mais ao arbítrio e a formas sofisticadas de fascismo travestido de democracia para se legitimar.

Biografia do Autor

Giovanni Semeraro, Universidade Federal Fluminense

Professor Titular vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) da Universidade Federal Fluminense (UFF). Coordena o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Filosofia Política e Educação (NUFIPE) e é bolsista de produtividade em pesquisa 1D do CNPq.

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Publicado

2026-01-08

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