Pobreza como malware: aplicativos e retração dos direitos sociais

Autores

DOI:

https://doi.org/10.1590/1982-02592020v23n3p480

Palavras-chave:

Aplicativos, Pobreza, Proteção Social

Resumo

O artigo objetiva apresentar reflexões sobre a relação dos aplicativos com a crise econômica de 2008 e a retração dos sistemas de proteção social influenciados pela racionalidade neoliberal. Enquanto metodologia, o presente artigo utiliza a pesquisa bibliográfica e possui como substrato empírico livros, artigos e notícias publicados na década de 2010, que abordaram as metamorfoses da sociedade induzidas pela complexificação da informática nos últimos anos. Por meio da pesquisa foi possível compreender a forma como esses aplicativos serviram à manutenção do sistema pós-crise econômica de 2008 e indica ainda a conversão gradativa do modelo do Big Data em um parceiro do Estado na concepção de um modelo de proteção social, no qual a economia comportamental substitui qualquer concepção de história e luta de classes. O artigo está estruturado em introdução, duas seções e considerações finais.

Biografia do Autor

Robson de Oliveira, Universidade Federal do Paraná (UFPR)

Possui graduação em Serviço Social pela Universidade Federal de Santa Catarina (2010), mestrado em Serviço Social pela Universidade Federal de Santa Catarina (2014) e doutorado em Serviço Social pela Universidade Federal de Santa Catarina (2019). Atualmente é professor do Curso de Serviço Social da Universidade Federal do Paraná - Setor Litoral.

Caio Cezar Sangioni Ceratt, Universidade Federal do Paraná

Possui graduação em Psicologia na Universidade Estadual de Maringá (2014); Pós-graduação em Atenção às Urgências e Emergência pelo Programa de Residência Integrada Multiprofissional na Atenção à Urgência e Emergência da Universidade Estadual de Maringá (2016).  Especialista em Psicologia da Saúde e psicólogo da Universidade Federal do Paraná, com atuação no campo das políticas afirmativas.

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Publicado

2020-10-05