Concentração fundiária, quilombos e quilombolas: faces de uma abolição inacabada

Autores

Palavras-chave:

Concentração fundiária, Liberdade, comunidades quilombolas

Resumo

Neste artigo, examinamos a interconexão entre a colonização na América Portuguesa, a concentração fundiária e o processo de escravização e libertação da população negra no Brasil, evidenciando o impacto dessa interconexão sobre o acesso à terra para quilombos e quilombolas. Por objetivo, buscamos compreender a importância dos territórios tradicionalmente ocupados, como meio de fortalecimento da experiência de liberdade nas comunidades quilombolas. Para tanto, recorremos à pesquisa bibliográfica e documental a partir de documentos orais, com abordagem qualitativa e uso da metodologia da história oral, sob a perspectiva de análise materialista, histórica e dialética. Concluímos que, em face do processo sócio-histórico de base colonial-escravocrata, as dificuldades estruturais de acesso à titulação dos territórios quilombolas atuam como mecanismos que perpetuam sequelas advindas do período da escravidão, nas relações de trabalho e vida dos(as) quilombolas brasileiros, impondo restrições à experiência de liberdade, mesmo após a Abolição.

Biografia do Autor

Alcione Ferreira Silva, Universidade Estadual da Paraíba

Mestra em Serviço Social pela Universidade Estadual da Paraíba

Professora substituta vinculada ao Departamento de Serviço Social da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB)

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Publicado

2021-09-28