Uma apresentação para um dossiê-mutirão-malungo
DOI:
https://doi.org/10.5007/2175-7917.2026.e111623Palavras-chave:
literatura/cultura brasileira, malungagem, brutalismo, mutirão, margemResumo
Este dossiê apresenta um debate sobre “outros modos da margem na literatura e na cultura brasileiras” a partir dos conceitos de “malungagem”, proposto por Jerome Branche, e de “brutalismo”, desenvolvido por Achille Mbembe. No ensaio “Malungagem: para uma poética da diáspora africana”, Jerome Branche expande a noção de malungo (termo de origem banto) sob a forma de um conceito que, desde sua etimologia, será pensado “como uma espécie de princípio básico para o imaginário discursivo da diáspora”. Em seus “registros e variações translocais” e em suas dimensões políticas, o conceito inclui “ideias de intersubjetividade, reconhecimento mútuo e solidariedade subalterna” (Branche, 2024). Oriundo da diáspora africana e da experiência da escravidão nas Américas, o termo “malungo” se disseminou de diversas formas no país, tornando-se corrente no campo da literatura e da cultura brasileiras desde o Mafuá do malungo (1948) de Manuel Bandeira, até os Malungos na escola. Questões sobre culturas afrodescendentes e educação (2007) de Edimilson de Almeida Pereira. Quanto ao conceito de “brutalismo”, Achille Mbembe apropria-se dele na arquitetura e nas artes plásticas para pensá-lo enquanto extensões de sua reflexão sobre a “necropolítica” e a “razão negra”. Desta proposição, surgem sete textos com abordagens diversas do outro-mesmo: seis pós-graduandos e uma professora da UFRJ tratam da malungagem e do brutalismo a partir da literatura brasileira com ênfase na produção de escritoras mulheres racializadas e nas questões raciais.
Referências
BRANCHE, Jerome. Malungagem: para uma poética da diáspora africana. Trad. de Sérgio Leite Barboza. Landa: Revista do Núcleo Onetti de Estudos Literários Latino-Americanos, Florianópolis, v. 12, n. 1, p. 319-343, 2024. edição revista e aumentada.
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MBEMBE, Achille. Crítica da razão negra. Trad. de Sebastião Nascimento. São Paulo: n-1 edições, 2018.
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